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segunda-feira, 30 de março de 2009

Recife reverencia Antunes Filho e sua ‘Falecida’*

Ivve Rodrigues










Com pres
enças ilustres, espetáculo encerrou mostra
dedicada a Antunes Filho


AMANDA SENA


Com o teatro Armazém lotado, Antunes Filho fez, na última sexta-feira (27), a estreia nacional da nova montagem do espetáculo “A Falecida Vapt Vupt”, que encerrou a temporada de apresentações da mostra “O Universo Antunes Filho”. Nomes de peso como o do dramaturgo, e colega pessoal, Ariano Suassuna, estiveram presentes para testemunhar a vivacidade e o frescor da obra Antuniana, que aos 80 anos continua se reinventando.

No palco, Zulmira, uma das mais populares personagens de Nelson Rodrigues, conta a sua trágica vida suburbana, que por vezes chega a ser cômica. Explorando esse viés antagônico da obra de Rodrigues, o diretor deu a nova montagem (Antunes já havia montado o texto nas décadas de 60 e 80) uma nova estética favorecida por artifícios de sobreposições e diálogos paralelos com vários atores em cena ao mesmo tempo. Nada muito focado, nem amarrado, todas as cenas exploram o palco como um todo e acontecem numa velocidade frenética. Trabalhando pela primeira vez com Antunes, a protagonista da peça, Bruna Anaute, comentou a experiência de encenar “A falecida” com o diretor. “Zulmira sempre foi o personagem de Rodrigues com que eu mais me identificava. Recebi um presente, estou muito feliz e honrada. ”, disse a atriz.

A apresentação foi uma experiência memorável, já que raramente o diretor faz estreias longe do seu reduto em São Paulo. “Só fiz questão de vir porque era Antunes, me diverti e gostei muito do que vi”, disse Suassuna enquanto era observado de perto pelo próprio diretor que brincou: “Queria só ver o que você ia falar”. Antunes também se mostrou satisfeito com o resultado apresentado em “A Falecida”, e feliz pelo carinho que recebeu durante a mostra, que também apresentou as peças “Foi Carmen” e “Prêt-à-porter”. “Agora é esperar para ouvir o que vocês acharam. Estou sensibilizado com tudo isso”, disse o diretor, que ainda completou: “Recife Obrigado”, com direito ao bom sotaque pernambuquês.

Para a idealizadora e produtora do evento, Simone Figueiredo, sua missão foi cumprida. “Deu tudo certo, conseguimos fazer um evento de sucesso que todos prestigiaram. Só tenho a agradecer Antunes pela confiança no nosso trabalho. Foi uma honra e uma responsabilidade imensa. Os Deuses do teatro colaboraram conosco”.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 30/03/2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

“A Falecida” encerra projeto

Espetáculo terá apenas três apresentações no Teatro Armazém 14

O espetáculo “A Falecida Vapt Vupt” estreia hoje, no teatro Armazém 14, sua curtíssima temporada de três apresentações . A peça encerra a programação de eventos da mostra “O Universo de Antunes Filho” e celebra também o dia mundial do teatro e do circo. Baseada no texto do renomado dramaturgo, Nelson Rodrigues, ‘A Falecida’ fará seu ‘début’ nacional no Recife, com a honra de ser a primeira vez que Antunes Filho estreia um trabalho longe dos palcos de São Paulo. A nova montagem alterou o título para ‘A Falecida Vapt Vupt’, em menção à rapidez da vida e a objetividade do texto de Rodrigues.

Com um cenário minimalista de um bairro do subúrbio carioca, Antunes conta a história de um cotidiano comum a muitos brasileiros, que faz menção a falta de dinheiro, assistência médica e ao futebol entre outras coisas. Como novidade, o diretor se reinventa, mais uma vez, e busca a experimentação através de linguagens de sobreposição, interferências e paralelismos bastante comuns na vídeoarte. Tudo isso permeado pessimismo e o humor cruel tão característico do texto de Nelson Rodrigues, e que Antunes consegue equilibrar misturando o grotesco e o cômico com maestria.

Além dos 27 atores que fazem do CPT, o elenco terá a participação dos atores pernambucanos: Alfredo Borba, Rogério Costa, Manuel Carlos e Jamysson Marques e Hilda Torres, única mulher no grupo. O espetáculo fica em cartaz até o próximo domingo. A mostra “O Universo de Antunes Filho” trouxe para o público recifense um pouco da vida e da obra do renomado diretor, que é hoje um dos principais ícones dos palcos brasileiros.

PROGRAMAÇÃO
Uma data tão importante não poderia passar sem ser festejada. Para comemorar o Dia Mundial do Teatro e do Circo vários espetáculos estão programados para acontecer. A Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco (Artepe) realiza uma ação comemorativa a partir das 9h no Pátio de São Pedro, e, a partir das 18h30 na Praça de Eventos de Camaragibe, presta uma homenagem aos grandes nomes do teatro local.

O Projeto “Um Março de Teatro” também marca as comemorações com uma caminhada cultural saindo do teatro do Parque em direção ao Pátio do Carmo a partir das 14:30h. Encerrando as festividades da data o Sesc promove uma vasta programação de oficinas, palestras e debates nas de Santa Rita, Casa amarela e Santo Amaro.

Serviço
“A Falecida Vapt Vupt”
Onde: Teatro Armazém 14
Rua Alfredo Lisboa, Cais do Porto, Bairro do Recife
Quando: 27, 28 e 29 de Março, às 20h
Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Informações: 81 3424-5613

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 28/03/2009

sábado, 21 de março de 2009

O grandioso “Universo de Antunes Filho” *

Começa hoje uma série de eventos em homenagem ao diretor de teatro

São 80 prêmios em 80 anos de vida, o último deles - Prêmio Shell de Teatro - conquistado há apenas três dias. O feito é apenas o reflexo de uma carreira de sucesso, que faz de Antunes Filho um dos principais nomes do teatro brasileiro. O diretor, que tem uma história marcada por polêmicas, sucessos e (poucos) fracassos nos palcos, dá início hoje a uma série de apresentações e eventos que vão trazer para público recifense “O Universo de Antunes Filho”. A mostra, que pretende desvendar um pouco da vida, obra e personagens do diretor, dá início às comemorações dos 80 anos do diretor, de 60 anos de carreira nos palcos, e 25 de criação do Centro de Pesquisas Teatrais do SESC São Paulo.

Em uma coletiva concedida na última quinta-feira, na companhia do amigo e companheiro de trabalho Stênio Garcia, Antunes falou de seu métodos, da importância de se fazer um teatro de inquietação, de sua preferência por autores nacionais e de suas aspirações profissionais futuras, inclusive, em relação às apresentações que acontecem durante a mostra que fica em cartaz no Recife de 21 a 29 de março. “Essa é talvez uma das coisas mais importantes que estão acontecendo no País. E acontece aqui no Recife”, disse Stênio destacando a importância do trabalho de Antunes.

Remanescente da primeira geração de encenadores brasileiros, José Alves Antunes Filho, é hoje um ícone dos palcos do Brasil. Pensador, estudioso e incentivador das artes cênicas, sempre viu no teatro uma possibilidade de experimentar o novo. Um de seus espetáculos mais importantes, “ Macunaíma” foi um marco para os jovens artistas da década de 80, e é referência para as produções teatrais até hoje, mais de 30 anos depois. Entretanto, Antunes tem uma opinião diferente. “ Apesar de Macunaíma ser meu espetáculo mais festejado, considero ‘Vereda da Salvação’ a obra mais importante em termos de ruptura de linguagem’. A peça, montada em 1964, tinha no elenco nomes como Raul Cortez, Lélia Abramo e o próprio Stênio Garcia. Intenso em tudo que faz, Antunes também ficou conhecido pelos processos que utiliza para formação de seus elencos que, muitas vez, causam desavenças com atores. “ Eu não preparo atores só para o teatro, preparo para vida”, definiu.

No Recife, Antunes apresenta diferentes facetas do seu trabalho. Durante a mostra os fãs do teatro terão a oportunidade de assistir aos espetáculos “ Foi Carmem”, “Prêt-à-porter” e “A Falecida Vapt, Vupt”. “Eu estou discutindo o tempo no teatro. Em ‘Foi Carmem’ o tempo é dilatado, existem portais do silêncio que dão muita sensibilidade a peça. Enquanto que em ‘A falecida’ esse tempo é comprimido”, disse.

Além das montagens das peças, a mostra também vai exibir o único filme dirigido pelo diretor. “Compasso de Espera” (1970), também tem o roteiro de Antunes e aborda a temática do racismo de forma clara, enfrentando o problema. A programação de “O Universo de Antunes Filho” conta ainda com: Um ciclo de palestras e exibição de vídeos, que acontece de 24 a 28 de março, no Cine Teatro Apolo; Uma exposição visual montada na Torre Malakof, contando a história do trabalho do diretor durante os 25 anos do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT); E uma oficina para jovens atores, ministrada pelo próprio Antunes, no Teatro de Santa Isabel, nos dias 23, 24 e 25 de março, das 10h às 13h.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 21/03/2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Antunes Filho em cena*

A partir de amanhã, Recife será envolvido pelo “Universo de Antunes Filho”. A mostra celebra os 80 anos de vida e 60 de carreira no teatro do renomado diretor. Para marcar a chegada de Antunes à cidade, a produtora do evento, Simone Figueiredo, organizou um café da manhã para anunciar a programação do evento que acontece entre os dias 21 e 29 desse mês. Em um bate-papo informal, na companhia do amigo e parceiro de trabalho, Stênio Garcia, Antunes fez um breve resumo do que pretende apresentar ao público recifense nos espetáculos “ Foi Carmen”, “Prêt-à-porter” e “A Falecida Vapt Vupt”, que faz a estréia nacional da nova montagem.

“Eu não gosto de fazer 80 anos. É muito chato”, brincou Antunes referindo-se ao fato da mostra ter moldes de homenagem a sua vida e obra. “Mas é uma alegria fazer isso em Recife, o público daqui é sempre muito carinhoso comigo”, continuou. O diretor também não poupou elogios ao amigo Stênio Garcia, com que já trabalho diversas vezes. “Ele é a pessoa certa para estar aqui. Foi ele que me ensinou a ver o ator, a buscar o ator. Ele que dá as idéias das loucuras de levar o povo pra floresta e eu que levo a fama” disse Antunes em relação aos seus métodos intensos de formação de atores. Garcia retribuiu de imediato, destacando a generosidade do diretor em cena. “Essa busca só nasce quando você tem uma semente chamada inquietação. É isso que ele tem”.

E é de fato essa “inquietação”, que o público pernambucano terá a oportunidade de assistir durante as apresentações da mostra. A nova montagem de “A Falecida”, por exemplo, estabelece um novo diálogo com elementos utilizados pela vídeo-arte abusando da experimentação, da sobreposição, e de linguagens paralelas. “Eu estou sempre tentando cutucar a linguagem teatral e vocês aqui em Recife serão minhas cobaias”.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 20/03/2009