São 80 prêmios em 80 anos de vida, o último deles - Prêmio Shell de Teatro - conquistado há apenas três dias. O feito é apenas o reflexo de uma carreira de sucesso, que faz de Antunes Filho um dos principais nomes do teatro brasileiro. O diretor, que tem uma história marcada por polêmicas, sucessos e (poucos) fracassos nos palcos, dá início hoje a uma série de apresentações e eventos que vão trazer para público recifense “O Universo de Antunes Filho”. A mostra, que pretende desvendar um pouco da vida, obra e personagens do diretor, dá início às comemorações dos 80 anos do diretor, de 60 anos de carreira nos palcos, e 25 de criação do Centro de Pesquisas Teatrais do SESC São Paulo.Em uma coletiva concedida na última quinta-feira, na companhia do amigo e companheiro de trabalho Stênio Garcia, Antunes falou de seu métodos, da importância de se fazer um teatro de inquietação, de sua preferência por autores nacionais e de suas aspirações profissionais futuras, inclusive, em relação às apresentações que acontecem durante a mostra que fica em cartaz no Recife de 21 a 29 de março. “Essa é talvez uma das coisas mais importantes que estão acontecendo no País. E acontece aqui no Recife”, disse Stênio destacando a importância do trabalho de Antunes.
Remanescente da primeira geração de encenadores brasileiros, José Alves Antunes Filho, é hoje um ícone dos palcos do Brasil. Pensador, estudioso e incentivador das artes cênicas, sempre viu no teatro uma possibilidade de experimentar o novo. Um de seus espetáculos mais importantes, “ Macunaíma” foi um marco para os jovens artistas da década de 80, e é referência para as produções teatrais até hoje, mais de 30 anos depois. Entretanto, Antunes tem uma opinião diferente. “ Apesar de Macunaíma ser meu espetáculo mais festejado, considero ‘Vereda da Salvação’ a obra mais importante em termos de ruptura de linguagem’. A peça, montada em 1964, tinha no elenco nomes como Raul Cortez, Lélia Abramo e o próprio Stênio Garcia. Intenso em tudo que faz, Antunes também ficou conhecido pelos processos que utiliza para formação de seus elencos que, muitas vez, causam desavenças com atores. “ Eu não preparo atores só para o teatro, preparo para vida”, definiu.
No Recife, Antunes apresenta diferentes facetas do seu trabalho. Durante a mostra os fãs do teatro terão a oportunidade de assistir aos espetáculos “ Foi Carmem”, “Prêt-à-porter” e “A Falecida Vapt, Vupt”. “Eu estou discutindo o tempo no teatro. Em ‘Foi Carmem’ o tempo é dilatado, existem portais do silêncio que dão muita sensibilidade a peça. Enquanto que em ‘A falecida’ esse tempo é comprimido”, disse.
Além das montagens das peças, a mostra também vai exibir o único filme dirigido pelo diretor. “Compasso de Espera” (1970), também tem o roteiro de Antunes e aborda a temática do racismo de forma clara, enfrentando o problema. A programação de “O Universo de Antunes Filho” conta ainda com: Um ciclo de palestras e exibição de vídeos, que acontece de 24 a 28 de março, no Cine Teatro Apolo; Uma exposição visual montada na Torre Malakof, contando a história do trabalho do diretor durante os 25 anos do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT); E uma oficina para jovens atores, ministrada pelo próprio Antunes, no Teatro de Santa Isabel, nos dias 23, 24 e 25 de março, das 10h às 13h.
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 21/03/2009

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