terça-feira, 19 de agosto de 2008

Em um milésimo de segundo

O que pode acontecer em um milésimo de segundo? Uma fração tão pequena de tempo pode mudar a vida de uma pessoa. Principalmente de um atleta. Um segundo é o tempo exato que pode transformar um ídolo, num fracasso. Um herói, num mito.

O que pode acontecer em um milésimo de segundo? O tempo de uma simples piscada de olhos pode ser o suficiente para fazer vir abaixo anos de treinamentos exaustivos em uma única queda. Pode ser o suficiente para um pedacinho de unha encostar na parede e com isso garantir mais um record mundial.

O que pode acontecer em um milésimo de segundo? No esporte... Tudo! É pelo milésimo de segundo que o velocista corre. É em um milésimo de segundo que se define match point de uma partida, numa cortada tão rápida que faz a bola voar tão rápido que só conseguimos ver no replay. É o tempo suficiente para triscar no sarrafo e ser eliminada da prova. Ou o segundo pode se traduzir em centímetro e ser o suficiente para fazer de mais uma atleta imbatível.

É em um milésimo de segundo que a confiança desaba. Que o pé pisa fora da linha. Que a insegurança atrapalha. É em um milésimo de segundo que a técnica faz a diferença. Que a experiência faz a diferença. Que o peso de uma nação é a diferença.

Olimpíadas de Beijing 2008, ao todo mais de 10 mil atletas de 205 diferentes países fazem com que o mundo acompanhe cada detalhe. Salto a salto. Braçada a braçada. Segundo a segundo. É o espetáculo dos jogos olímpicos que continua fascinando Nações. Uma legião de Diegos, Eduardos, Dayanes, Cielos, Pheps, Isinbayevas, Gibas, Jades e de tantos outros. Atletas que nos arrepiam, arrancam lágrimas e sorrisos. Tudo, em um milésimo de segundo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Diário de Pernambuco de cara nova

Em uma apresentação realizada na ultima terça-feira-feira (12/08), Cristiano Mascaro, responsável pelo novo projeto gráfico do Diário de Pernambuco, teve a oportunidade de apresentar a nova diagramação do jornal aos alunos do 6º período de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco. Na apresentação, Mascaro discutiu quais foram suas principais propostas à direção do Diário e também, como se deu todo o processo de concepção do projeto.
Com um formato mais arrojado e moderno, o novo Diário de Pernambuco tem uma proposta de aproximar cada vez mais o universo impresso do on-line. A palavra de ordem é interação. O jornal passa a estar alinhado com as principais tendências de desing do país e do mundo, através de uma linguagem que possibilita um maior leque de atuação dos repórteres, além de promover uma maior interatividade com o leitor.
A diagramação que antes obedecia uma disposição mais tradicional, dividida em três eixos horizontais. Agora obedece a linguagem do "L" invertido, e se preocupa mais em obedecer a hierarquia da informação. O que dá à página uma maior fluência em seus elementos. Apesar de trazer grandes mudanças em seu projeto gráfico, Mascaro se preocupou em conservar as principais características do jornal. " A proposta é inovar, porém sem perder a identidade visual" explicou.
Ao completar uma semana de circulação, a resposta dos leitores tem sido positiva e os elogios já começaram a chegar na redação. Um presente para Mascaro, que levou cerca de três meses para concluir todo projeto. E também para os leitores que ganharam um jornal ainda mais moderno e dinâmico.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

MPPE vai produzir material em braile para portadores de deficiência visual*

Em mais uma ação na busca pela promoção dos princípios de igualdade e inclusão social, o Ministério Público de Pernambuco acaba de fechar uma parceria com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) para aquisição de uma máquina de impressão em braile, sistema de escrita e leitura tátil para pessoas portadoras de deficiência visual. A entrega oficial da impressora será feita na próxima terça feira (12) no Gabinete da Procuradoria, localizado à Rua do Imperador. Na ocasião, estarão presentes, o procurador geral de Justiça Paulo Varejão, o coordenador do Caop Cidadania, Marco Aurélio Farias, o coordenador de apoio técnico, Leonardo Menezes, Evângela Andrade, relações públicas do MPPE, e, representando a presidência da Chesf, Manoel Aguiar, membro do Comitê de Responsabilidade Social da empresa.

A necessidade de se produzir um material impresso em braile foi constatada no dia-a-dia das atividades desempenhadas pelo Ministério Público. O objetivo é que seja feita uma produção de comunicação toda em braille; cartilhas, folders e peças em geral. Também será possível a impressão de qualquer material para consulta em ações que envolvam deficientes visuais. “Com a possibilidade de impressão em braile o MPPE vai poder fazer cumprir a lei, não só evitando conflitos, mas também promovendo a inclusão e orientando os portadores de deficiência a cerca de seus direitos”, disse Marco Aurélio Farias.

O patrocínio da Chesf foi viabilizado através do projeto do MPPE intitulado Comunicação acessível. “A Chesf encontrou nesta parceria uma oportunidade de contribuir para que os cegos tenham acesso às informações produzidas pelo Ministério Público. Estamos ajudando a garantir o direito constitucional à informação” explicou Manoel Aguiar. Falando ele mesmo como deficiente visual, Aguiar também destacou os benefícios que o material em impresso em braile trará. “Essa é mais uma conquista para os cegos de todo o Estado.”

A impressora será instalada no Coordenadoria Ministerial de Apoio Técnico e será operada por servidores do MPPE que também possuem deficiência visual. O primeiro produto da impressora braile será a cartilha A inclusão sob o olhar da multiplicidade, voltada à divulgação dos direitos das pessoas com deficiência. O exemplar será entregue a Manoel Aguiar. A edição convencional da cartilha sairá até o final do ano.

Participam do projeto o Caop Cidadania, Assessoria de Comunicação, Coordenação Ministerial de Apoio Técnico (CMAT), Coordenação Ministerial de Tecnologia da Informação (CMTI) e Assessoria de Planejamento.
*A matéria foi capa do Diário Oficial de 09 de agosto de 2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Das crônicas que não fiz...


Inspirada pelo curta Os filmes que não fiz, do diretor Gilberto Scarpa, exibido no CinePE desse ano. E pelo longo tempo que passei sem colocar nada de novo aqui no blog (mais de um mês), resolvi fazer um texto apenas sobre as crônicas que não fiz.

Ao longo desse mês de "quase" férias – e digo quase, porque tudo segue normal com exceção apenas da faculdade – tive várias idéias de textos que gostaria de ter compartilhado com o universo blogueiro. Mas por algum motivo: falta de tempo, excesso de trabalho, problemas com o PC, ou a mais pura e simples, preguiça. Acabei não colocando em prática.

A primeira das idéias foi falar dos dentistas. Com o título: Ofício Medieval. O texto abordaria o prazer quase sádico que os dentistas têm em torturar seus pacientes naquelas cadeiras que mais parecem câmaras da morte. Em função de um episódio que já dura mais de dois meses, causado por uma maldita azeitona, a autora que vos fala (escreve), vem passando por um verdadeiro suplício na mão desses torturadores da idade média. É preciso ser no mínimo excêntrico, para escolher passar o resto da vida fazendo as pessoas sentirem dor. Ok, ok! .. Eles irão se defender dizendo:

- Na verdade o nosso papel é evitar a dor, ou então resolvê-la quando a situação já está no limite.

Mas convenhamos que tem que ter um pezinho no prazer em ver a dor alheia. Ah, isso tem!!!

A outra crônica que não fiz seria sobre vizinhos. O perigo mora ao lado iria falar das relações entre aqueles que vivem separados apenas pelas pilastras que dividem os portais de dois apartamentos. Desde que o mundo é mundo (já diria Bruno Mazzeo em um dos seus episódios do Cilada) existe vizinhança... A diferença é que as cavernas poderiam ficar mais distantes umas das outras, assim como as aldeias e vilas. Mas, com o crescimento das cidades, passamos a compartilhar do dia-a-dia do sujeito que mora logo ao lado, a baixo, em cima, na frente... Prédios cada vez mais próximos e com paredes cada vez mais finas transformaram a vida moderna num verdadeiro Big Brother Condominial. E não adianta reclamar com o síndico!!!!

Ainda bem que não escrevi essa crônica... Pelo menos meus vizinhos não me odiarão.

Também tive a idéia de falar sobre como a cidade muda durante o inverno, mas já estamos no final de Julho e não haveria mais sentido. Quis fazer um diário de bordo sobre minhas primeiras coberturas jornalísticas em grandes eventos. Faltou tempo! Fazer uma homenagem ao dia do amigo (20/07). Passou batido!

Enfim, foram muitas idéias... Algumas acredito que renderiam boas risadas, outras seriam completamente sem graça. Mas assim como no curta de Scarpa, a vida de uma “aprendiz” de jornalista, ou de um diretor de cinema, é feitas de idéias. Inspiração. Ou falta dela. Algumas são boas, outras nem tanto. Umas virarão histórias, e outras ficarão guardadas na memória. Quem sabe um dia não serão contadas a um outro “aprendiz”. Quiçá!!!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Zelito Nunes: uma trajetória de poesia

Estou de volta meu povo!!!!!!


Passado o período de loucura universitária, retomo minhas atividades de blogueira. Como novo começo, coloco aqui o texto fruto de uma entrevista concedida por Zelito Nunes (tema do primeiro post desse blog).


Espero que gostem...


Escritor, poeta, cordelista e funcionário público. A última atividade citada, entre as tantas desempenhadas por Joselito Nunes, mas conhecido como Zelito, parece não fazer parte da descrição dessa figura, que tem a arte da escrita como parte de sua existência. O universo da advocacia, e por conseqüência, do funcionalismo público aparecem como meros coadjuvantes na trajetória de escritor, que consagrou Zelito como um folclorista nato. É a voz, e o cotidiano, do típico matuto a marca registrada do seu texto.

Como bom boêmio que é, e não podia ser diferente, Zelito concedeu esta entrevista num bar: Antiquárium. Com cardápio tipicamente regional, charque brejeira e carne de bode, Zelito chegou para a entrevista usando calça jeans e camisa de malha, figurino que não passa nem perto da formalidade da vida jurídica. Aliás, com relação a sua formação como bacharel em Direito, ele afirma que foi empurrado “pelo outros” para a carreira. Mas isso é assunto para mais adiante. Natural de Monteiro, no interior da Paraíba , Zelito é o caçula de uma família de 17 filhos. Teve sempre uma vida bastante modesta, até mesmo pelo grande número de irmãos que tinha. Não chegou a passar fome, mas segundo o próprio: “tirou um fino”. Nasceu e se criou ouvindo os cantadores da terra. Ainda criança, lia as poucas revistas velhas que chegavam ao seu alcance, mas era mesmo um leitor aficionados de gibis. Foi quando menino, que percebeu gostavar de contar histórias, na verdade, descobriu um dom ao ver que as pessoas também gostavam de ouvir suas “mirabolantes” epopéias. E foi contando histórias para uma professora do primário, a dona Dalva, que Zelito compensou a inabilidade na matéria de artes manuais, e conquistou a admiração da professora que viria anos depois ratificar seu talento ao testemunhar-lhe as lembranças dos “causos” por ele contados.

Durante a adolescência, a época da Jovem Guarda foi o único período em que Zelito se distanciou um pouco de suas raízes. Durante o movimento definido por ele como “movimento mais imbecil da música” , Zelito acabou adotando a jaqueta de couro e o estilo Iêiêiê... Mas a fase não durou muito. Como todo jovem, Zelito viveu apenas uma fase, e retomou o seu contato com a poesia e música do sertão do Pajeú. Era o cotidiano popular que realmente fascinava o jovem escritor. Nomes como dos poetas populares, Júlio Verne, Rogaciano Leite e Pinto Velho de Monteiro fizeram parte de sua trajetória... foram inspiração e posteriormente cooperação. Tornaram-se amigos. A propósito, faço aqui um parêntese, amigos não lhe faltam. Entre uma dose e outra de rum, sempre chegava alguém na mesma, fazia aquela festa, o cumprimentava... Do garçom, ao dono do bar. Figura popular!

Já no Recife, Zelito sempre esteve envolvido pelo universo literário. Sempre trabalhou com livros, primeiro numa gráfica e em seguida como vendedor. Foi levado à faculdade de direito por sugestão de um irmão, que o convenceu de que ele precisava de uma profissão de verdade, uma profissão na qual ganhasse dinheiro. Mas Zelito nunca gostou da vida acadêmica, passou pelo curso como um aluno mediano. E apesar de ser registrado na OAB, nunca chegou a advogar. Não advoga nem em causa própria. Assim como “virou” advogado, também “virou” funcionário público. Está lotado na Advocacia Geral da União, mas conta as horas para se aposentar e livrar-se do que chama de “sepulcro”.

Mas a atividade que realmente o alçou à arte de “escrivinhador”, foi o cargo que desempenhou durante 11 anos a frente da Imprensa Universitária da UFRPE. Como diretor, Zelito editou um livreto reunindo histórias de cantadores e para o lançamento na universidade, convidou ninguém menos que Sivuca. Estava definitivamente traçada sua carreira literária.

Daí em diante, Zelito não parou mais. Apresentado por um amigo em comum, conheceu Jessier Quirino, com quem lançou em 1999, o livro Folha de Boldo, 120 histórias de cachaceiros. A co-autoria deu certo, e serviu para dar coragem de tentar vôos maiores. Em 2000, lança Cariri e Pajeú, gente engraçada de lá pela editora Líber. Foram 180 exemplares vendidos, um sucesso para os padrões pernambucanos, principalmente numa estréia.

O segundo livro (2004) deu continuidade ao seu primeiro trabalho autoral: Cariri e Pajeú, outras histórias de lá. Mais um sucesso de vendagem, chegando à marca de 220 exemplares vendidos. Como característica do típico virginiano que é (apesar de suas contestações), Zelito é um “workaholic”. Pelo menos no quê diz respeito a sua paixão: a escrita!

Foi quando o bar já começava a ser tomado por rubro-negros sedentos (no dia estava sendo transmitida as semi-finais da Copa do Brasil), que Zelito comentou a sua pouca intimidade com o universo “futebolístico”. “De futebol só entendo uma coisa: nada. Fico com as poesias” disse sorridente. E logo voltou a falar sobre sua verdadeira paixão: arte de escrever. Mal havia lançado o segundo livro, e o seu terceiro trabalho já estava pronto para ser editado. Histórias de Beradeiro ultrapassou mais uma vez a expectativa de vendagem e deu a Zelito a certeza de que não mais pararia de escrever. Foi petiscando um sanduíche de queijo do reino, que acabou confirmando a mania por trabalho. Além de se dedicar ao projeto do seu próximo livro Sertão de Beradeiro, registre antes que acabe Zelito também publica semanalmente seus textos em dois jornais eletrônicos: Vitrine Cariri (
www.vitrinedocariri.com/) e o Jornal da Besta Fubana (jornaldabestafubana.blogspot.com/).
Em suas colunas, casos como o de Cajarana, o matuto que virou dentista protético, ou o de Zezinho, o gari de Tabira que adorava quiabo, ou mesmo aquela conversa fiada entre bêbados boêmios, típica de boteco do interior. Não importa se o personagem é o “bebo”, o “ceguinho”, ou o padre... A tônica da obra de Zelito é a linguagem matuta e o humor.

E é o humor, a característica mais marcante de Zelito Nunes. Sentando, a vontade num bar, conta as histórias da sua vida como se falasse de seus personagens. Por vezes saudosista, noutras bastante crítico... Mas sempre bem humorado. Poético. Aos 58 anos, pai de três filhos: Pedro, André e Bruno. Dono de um passo manso, Zelito é um típico matuto na cidade grande. Não aquele matuto “caricato das quadrilhas juninas”, mas sim o matuto no sentido fiel da palavra. Sertanejo! Com orgulho de suas raízes e contador das suas origens. Com direito a despedida rimada: “No sertão onde eu vivia/ Fui vaqueiro tangerino/ Fui vendedor de remédio/ Cobrei “barato” em cassino/ Só nunca fui pederasta/ Mais ainda tirei um fino”.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A moda agora é ser “cult”!


Por algum motivo, que ainda não consegui entender, a nova moda entre os adolescentes é ser “Cult”.

Visual “retrô” e os lugares considerados alternativos passaram a ser o alvo predileto dessa moçada que insiste em passar uma imagem descolada. O Cine PE não fugiu à regra, e como se trata de um festival de cinema fora do circuito comercial, foi invadido por manada de adolescentes que usavam óculos grandes e largas calça-xadrez.

Ok! Não sejamos radicais. Vai lá que uma meia dúzia deles realmente tivesse interesse em assistir aos filmes, se aprofundar a respeito do cinema pernambucano e etc. Mas a grande maioria estava lá fazendo Deus sabe o quê? Pelo simples fato de que o lugar “tava bombando”.

A coincidência é que recentemente foi inaugurada uma loja de grife, em Recife, que vende roupas, digamos, mais "cabeçudas" (que deveriam ser diferentes e marcar a atitude no visual). O engraçado é que cada peça custa em média R$200, 00. E no final, sai todo mundo vestido igual.

Que cinema quê nada, a moda agora é ser “Cult”!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Curtas em 35MM

Mais alguns comentários dos curtas exibidos no Cine-Pe 2008:

O Documentário Câmera Viajante, do diretor cearense, Joe Pimentel, também foi um sucesso de público e crítica. O filme conta a história de 4 fotógrafos do interior e, como todo documentário, seu ponto forte são os personagens. Senhores humildes e de senso de humor peculiar, os fotógrafos em questão conquistam pelo carisma. Sensibilidade é a melhor palavra para descrever Câmera Viajante.

Décimo Segundo filme do diretor pernambucano Léo Lacca, foi um curta “polêmico”. O filme dividiu opiniões e a exemplo do que aconteceu na exibição feita no Festival de Brasília, o filme foi vaiado pela platéia que estava no Guararapes, no feriado de primeiro de maio.

A crítica, porém, elogiou o trabalho do diretor e também do ator, Irandhir Santos (protagonista de Amigos de Risco e da série global, A Pedra do Reino). O filme tem uma história mais profunda de ser captada, mas é tecnicamente muito bem feito. Resta saber se o publico recifense vaiou o filme porque não entendeu, ou porque repetiu o comportamento dos brasilienses, estampado dias antes, nos jornais Pernambucanos. Vale dizer que o filme de Lacca foi selecionado para participar do Festival de Berlim.

No último dia da mostra competitiva de curtas, o público ganhou um presentão. Os três filmes da noite foram um verdadeiro sucesso. A começar pela animação Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral. O Roteiro super original de César e Leandro Maciel traçou, em formato de “documentário”, a história do assassinato de uma das personagens mais famosas do cartunista Angeli: A Rê Bordosa.

A animação é muito bem montada e reproduz, com riqueza de detalhes, os trejeitos de amigos, e da equipe do desenhista. Inclusive do próprio. O curta fez a platéia reagir do início ao fim com muitas gargalhadas. Favorecido pelo humor ácido e peculiar do já consagrado artista, Angeli, o Dossiê foi sem sombra de dúvidas um dos melhores curtas do Festival. Um excelente filme!

O Curta Café com Leite marcou a estréia atrás das câmeras, do jovem diretor paulista, Daniel Ribeiro. O filme mostra de maneira, delicada e sensível, sem muitos arrudeios, nem máscaras, a relação de dois jovens homossexuais e a maneira como eles reagem a morte dos pais de um deles, que recebe a missão de cuidar do irmão mais novo. A forma natural como o diretor aborda o cotidiano do casal, é o grande diferencial do filme. A platéia pernambucana reagiu às primeiras cenas de carícias do filme, com certo desconforto e gritos efusivos. Mas logo em seguida o público se rendeu a história envolvente do curta, que terminou a exibição sendo bastante aplaudido.

Mas quem, literalmente, ganhou a noite foi Os Filmes que Não Fiz. Filmado em formato de documentário o diretor , Gilberto Scarpa, conta de maneira muito bem humorada seus fracassos profissionais. Protagonista de sua própria “desgraça”, Scarpa conseguiu arrancar boas risadas do público recifense.

O Roteiro e a Montagem, do já premiado Cristiano Abud, ajudam, ainda mais, a dar um bom ritmo ao filme. Os Filmes que Não Fiz Os Filmes que Não Fiz teve sua consagração ao receber a calunga de melhor filme do Cine-PE.

Vale ressaltar que a mostra de curtas foi o verdadeiro destaque desta edição do Cine-Pe. Por alguma razão, a curadoria perdeu a mão na seleção de longas (da mostra competitiva) e colocou na programação filmes que são classificados apenas como medianos.

O resultado foi uma crítica massiva da imprensa especializada, e principalmente do público que lotou o Teatro Guararapes durante todos os dias do Festival. “Venho ao Cine-PE há pelo menos 8 anos, e com certeza os longas já foram muito melhores”, disse a cinéfila confessa, Rafaela Belo.

Como exemplo de filme “estranho” podemos citar Bodas de Papel, do diretor André Sturn. O filme, quase novelesco, foi atacado pela crítica, e mal falado por todos após a exibição, feita no terceiro dia do Festival. Mas por algum motivo, esse mesmo filme, que “quase” foi vaiado, levou o prêmio do júri popular. Coisas de Festival de Cinema, e de uma platéia conhecida por ser condescendente.