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sexta-feira, 27 de março de 2009

A eterna busca pela melhor onda*

Um filme sobre surfistas e para surfistas. Esse é o principal mérito do documentário “Surf Adventures 2 - A busca continua”, que chega hoje às salas de cinema. A proposta de dar continuidade ao primeiro projeto, lançado em 2002, mostrando a elite do surfe brasileiro e mundial em viagens à procura da “onda perfeita”, cumpre seu papel no quesito execução. O filme do diretor Roberto Moura é um deleite de imagens para os aficionados pelo esporte. Com ângulos e planos pouco vistos, Surf Adventures 2 pode ser considerado apenas um filme bonito.

A grande questão de se fazer um documentário sobre surfe é que depois de um certo tempo de filme as imagens deixam de ser belas e interessantes, e passam a se tornar um tanto quanto repetitivas. O grande público, fatalmente, sentirá falta de receber mais informações sobre os lugares, sobre o esporte e mesmo sobre “surf life style”. Porém, outro mérito deve ser dado a Roberto Moura: a inclusão do surf na Pororoca no roteiro. As imagens feitas no interior do Amapá são realmente incríveis, as manobras ganham ainda mais força ao som da batida instigante da Nação Zumbi. A trilha sonora do documentário, aliás, é o que mais chama atenção depois da beleza dos lugares - que passa por cenários paradisíacos como Taiti, México, Austrália, Chile, Peru, além é claro, das belas praias do Rio de Janeiro.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 28/03/2009

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Presente/The Gift (Louise Hogarth, EUA, 2003)



O documentário da norte-americana, Louise Hogarth, chegou aos cinemas exatamente um ano depois da diretora ter lançado a pergunta Alguém Ainda Morre de Aids? em seu curta-metragem de mesmo nome. Mais uma vez, Louise se aventura escrevendo, produzindo e dirigindo o filme, e justiça seja feita, ela cumpre muito bem todos os papéis.

O Presente é um documentário perturbador até mesmo para quem está diretamente envolvido com o universo homossexual. O filme investiga de perto a decisão polêmica tomadas pelos protagonistas de contrair, voluntariamente, o vírus HIV. Um deles conta a história sem arrependimentos, já o outro não tem tanta certeza das escolhas. São nas “convention parties” que os portadores do vírus, conhecidos como “the gift givers”, se reúnem para curtir festa restritas, regadas à drogas, bebidas e muito sexo sem camisinha.

Os “bug chasers” (outra forma de tratamento dos soropositivos) vivem a partir de uma lógica invertida, na qual pretendem transformar a exceção em regra. Dessa maneira eles intencionam poupar a si e ao restante da comunidade do medo da contaminação. O diferente é não ser um soro-positivo. Uma realidade sombria e impactante.

O formato da narrativa adotado por Louise Hogarth aborda também outra perspectiva do problema: a falsa idéia de uma vida normal e saudável dos HIVs positivos, vendida pelos laboratórios que fabricam o coquetel de medicamentos. Idéias essas, distorcidas e equivocadas que acabam fazendo com que muitos jovens tomem decisões precipitadas.