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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Uma verdade cheia de “clichês”

Se existe um mérito para o novo filme do diretor Robert Luketic, “A verdade nua e crua” (The Ugly Truth, EUA, 2009), é o fato da narrativa de uma comédia romântica ser construída sob a perspectiva masculina de relacionamentos. Fato pouco visto em filmes do gênero. Apesar de ter uma mulher como protagonista da história - a produtora de TV obsessiva, controladora e solitária, Abby Richter, vivida pela atriz Katherine Heigl - a verdade que Luketic pretende expor são as mais profundas aspirações dos “machões” de plantão.

O problema é que para cumprir seu objetivo o diretor pesa na mão, e exagera na dose de “clichês” para retratar o universo dos machos alfas. Mike Chadway, interpretado por um dos atuais queridinhos de Hollywood, Gerard Butler, é o apresentador de um programa sobre relacionamentos especializado em dar conselhos para mulheres desesperadas, dispostas a aceitar qualquer tipo de opinião machista para conquistar um namorado. Depois de um embate com uma telespectadora revoltada, a própria Abby Richter, Mike é convidado a trabalhar na emissora de Abby, que passa a ser sua produtora. A missão de ambos: elevar os índices de audiência às custas dos conselhos de Mike. Ou seja, às custas de muita baixaria. Em paralelo, Mike também tem a missão de ajudar Abby a conquistar Colin (Eric Winter) A partir daí, o filme segue uma receita de bolo tão precisa que chega a ser tediosa. E claro que os dois vão acabar se apaixonando.

É bem verdade que alguns momentos rendem boas risadas, como a cena em que Abby usa uma calcinha com vibrador durante uma reunião de negócios. Mas apesar dos poucos momentos bem sucedidos, a fórmula usada é a mesma conhecida por todos. A ideia inicial de expor o “lado b” da relação acaba sendo descaracterizada, os personagens perdem seus traços mais extremados (que eram os mais interessantes), e tornam-se iguais a diversos outros já bastante íntimos do público. Reafirmando o conceito desgastado de que nesse gênero de filme, o que mais vale é deixar o espectador livre de surpresas.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 18/09/2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

A eterna busca pela melhor onda*

Um filme sobre surfistas e para surfistas. Esse é o principal mérito do documentário “Surf Adventures 2 - A busca continua”, que chega hoje às salas de cinema. A proposta de dar continuidade ao primeiro projeto, lançado em 2002, mostrando a elite do surfe brasileiro e mundial em viagens à procura da “onda perfeita”, cumpre seu papel no quesito execução. O filme do diretor Roberto Moura é um deleite de imagens para os aficionados pelo esporte. Com ângulos e planos pouco vistos, Surf Adventures 2 pode ser considerado apenas um filme bonito.

A grande questão de se fazer um documentário sobre surfe é que depois de um certo tempo de filme as imagens deixam de ser belas e interessantes, e passam a se tornar um tanto quanto repetitivas. O grande público, fatalmente, sentirá falta de receber mais informações sobre os lugares, sobre o esporte e mesmo sobre “surf life style”. Porém, outro mérito deve ser dado a Roberto Moura: a inclusão do surf na Pororoca no roteiro. As imagens feitas no interior do Amapá são realmente incríveis, as manobras ganham ainda mais força ao som da batida instigante da Nação Zumbi. A trilha sonora do documentário, aliás, é o que mais chama atenção depois da beleza dos lugares - que passa por cenários paradisíacos como Taiti, México, Austrália, Chile, Peru, além é claro, das belas praias do Rio de Janeiro.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 28/03/2009

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ausência Justificada

Melhor do que discursar sobre os motivos que me deixaram sem atualizar o blog por mais de um mês, é mostrar um desses motivos.

Segue a baixo a crítica do curta alemão, Motodrom. Texto que me levou ao grupo de jovens críticos que farão a cobertura do Janela Internacional de Cinema do Recife – Festival que acontece de 13 à 20 de novembro na Fundação Joaquim Nabuco – Em breve trago mais informações .


Motodrom


A primeira sensação que temos ao assistir Motodrom é de que estamos dentro do globo da morte com as motos passando sobre nossas cabeças. Com planos pouco usuais e quase hipnóticos, o curta do diretor alemão, Jörg Wagner é um filme sensorial que transporta o espectador para a realidade de motoqueiros circenses que ganham a vida desafiando a morte. É justamente esse caráter documental que faz de Motodrom um filme tão peculiar, já que o formato de curta-metragem é pouco utilizado por documentaristas. Além disso, Jörg Wagner optou por fazer um filme mudo, pontuado apenas pelo ronco dos motores das motos em atividade. Um risco para esse tipo de narrativa, mas que ao mesmo tempo dá ao filme uma linguagem universal.

O tratamento de som, bem como das imagens em PB bastante granuladas, são uma atração à parte. Bem como a participação do público que em meio ao entra e sai frenético das apresentações, assiste atento às manobras de cima do Motodrom, e dão ao filme a conotação do real. Jörg Wagner consegue passar através de sua montagem o tom energético e pulsante que dimensiona a vida desses artistas. Não por acaso, o filme recebeu uma menção honrosa no Festival de Sundance, em 2007.