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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A arte de projetar

Arquitetura como expressão artística reflete transição dos tempos

Já parou para pensar que sempre que queremos citar um exemplo de beleza arquitetônica fazemos menção a prédios antigos? Um erro recorrente, e que é usualmente repetido por pessoas em diversas áreas, é excluir a arquitetura do ramo das expressões artísticas, como se a mesma não representasse o mais puro significado de arte. Principalmente no que diz respeito à arquitetura contemporânea.

Porém, tanto quanto os estilos de outrora, os projetos modernos e pós-modernos também possuem o seu charme e estão carregados de significado e inspiração de seus projetistas. O fenômeno de incompreensão da arquitetura como representação artística começou a acontecer durante o Movimento Moderno. Prédios que antes eram repletos de ornamentos, a partir do século XX começaram a perder essa característica em função do paradigma “forma x função”. “Influenciados pelas artes plásticas, os arquitetos começaram a pensar projetos mais simples que tinham base na composição de volumes e cores, não mais na ornamentação”, destaca o Doutor em Teoria e História da Arquitetura pela Universidade da Cataluña, e professor da UFPE, Maurício Rocha.

De acordo com o professor, a arquitetura é uma arte cara, feita para ser vista e usada. Por esse motivo, durante o período das duas grandes guerras mundiais, uma de suas principais características - a ornamentação - foi abandonada pela necessidade de se reconstruir cidades inteiras de forma rápida e barata. “A perda do ornamento foi uma questão de ordem prática”, lembra Rocha.

Para entendemos melhor esse processo podemos traçar uma linha do tempo de edificações. No Recife, três construções servem como bom exemplo de fachadas ornamentadas. A igreja de São Pedro dos Clérigos (XVIII) tem características do Barroco, enquanto que o Teatro de Santa Isabel (XIX) apresenta características do Historicismo Neoclássico. O prédio do Palácio da Justiça (primeira metade do séc. XX) é caracterizado como um edifício eclético, que possui características de vários estilos, chegando ao máximo de ornamentalidade em um único espaço. A partir daí, os projetos começaram a seguir a tendência mundial trazida pelo Movimento Moderno, linhas mais retas e funcionais ditavam um estilo, que pode ser muito bem representado pelo edifício Acaiaca, na Avenida Boa Viagem.

Entre os projetos mais recentes, o Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano (Joana Bezerra), pode representar alguns indícios do Pós-Modernismo na paisagem da cidade. Com uma estrutura menos rígida, a construção já permite a volta do ornamento. “Ainda temos pouquíssimos exemplos pós-modernistas pelo preconceito em torno do ornamento que foi criado pelo movimento moderno. No sul e sudeste já é mais comum encontramos a presença do adorno em correntes que podemos chamar de “retrô”, explica o professor. “O mais importante é entendermos que sempre que mudam os paradigmas as pessoas acreditam que a arte acabou, mas o que acontece é que a arte se adapta. Cada tempo tem sua arte, e ela representa o estilo de seu próprio tempo”.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 20/09/2009


domingo, 3 de maio de 2009

Funcional e com estilo

Objetos e utensílios diferenciados tornam-se peças de decoração

O desing de produtos, ou desenho industrial como é popularmente conhecido, trabalha essencialmente com o desenvolvimento de bens de consumo humano. Já há algum tempo, a busca pela produção de objetos que tenham um desing diferenciado, que incorporem funcionalidade e beleza num só produto, tornou-se um tendência em todo o mundo. Peças que antes serviam apenas para um fim prático - guardar coisas, cozinhar, iluminar, ou organizar materiais - passaram a ter a preocupação de não serem apenas úteis, mas também terem plástica.

Lojas que trabalham com utensílios para casa estão, cada vez mais, de olho nessas tendências com objetivo de trazer para os seus clientes produtos que estão um consonância com as tendências do desing mundial. Tok Stok, Imaginarium, Prima Casa, entre outras, são alguns exemplos de empresas que primam pela beleza de suas peças. Entretanto, a maioria deles esbarra na dificuldade de encontrar pessoas que desenvolvam este tipo de trabalho no Recife. “ Eu faço pessoalmente a escolha de todos os produtos que vendemos na loja”, diz Juliana Farinha, proprietária da Prima Casa.

Entre as peças que mais chamam a atenção no local, está um fruteira redonda (da marca italiana Alesi), em aço inox, que, com um desing totalmente diferenciado, mal pode ser identificada como fruteira. Como centro de mesa, a peça é a garantia de um toque especial na sala de estar.

Mas nem só de importados vive o desing de produtos, a empresa nacional Riva, de Caxias do Sul, vem despontando no cenário de utensílios diferenciados já há um bom tempo. Trabalhando com os Jacqueline Terpins e Ruben Simões a empresa produz peças exclusivas, que frequentemente aparecem compondo os cenários das novelas Globais. “Em Recife, ainda existem poucos profissionais trabalhando no segmento, mas no sudeste a produção deste gênero está consolidada”, ressalta Juliana, que complementa: “Porém quando contatamos empresas como a Riva, fazemos questão de pedir produtos que são muito procurados aqui no Nordeste”, completou.


Luz que faz a diferença


Mesmo existindo uma carência no mercado local de desings de produto, empresas locais, como a Ligth Desing, já trabalham com conceitos modernos como o “Architectural light”. O termo é usado para identificar uma iluminação que não é meramente decorativa, mas, sim, que se incorpora a arquitetura do ambiente.

Para isso, o desing é peça fundamental no momento de concepção das peças, que acontece simultaneamente com o processo de criação do projeto. “Existe a preocupação com a funcionalidade, mas também com a estética. Você tem que ser super funcional, mas aplicar isso ao ambiente. A luminária por si só não representa muito. É preciso compor com o ambiente”, explica Fred Mamed, um dos desings da Ligth.

O projeto muito particular dos spots, andarelas, pendentes e luminárias, ajudam a compor um visual totalmente diferenciado na casa. As linhas e cortes dos produtos combinam perfeitamente com os projetos, justamente por passarem por um processo de criação em comum. Outra preocupação na concepção das peças é em relação às questões ambientais, todos os produtos são pensados de forma que seja exercitado o consumo consciente de energia.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de01/05/2009