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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Projeto Lo-Fi é música boa e feita em casa

Coletânea virtual “Recife Lo-Fi” será lançada amanhã, às 22h, no bar Quintal do Lima

Pare e pense no que é preciso para se fazer música de qualidade. Certamente, a resposta mais frequente é: Talento! E esse elemento é, por certo, um dos pontos de interseção entre os artistas que estão reunidos na coletânea virtual “Recife Lo-Fi”, que será lançada amanhã, às 22h, no bar Quintal do Lima. O outro ponto de interseção, que levou o músico Zeca Viana (baterista da Volver) a juntar essa galera, é o fato de todos eles terem gravado suas músicas em estilo lo-fi, em casa, com celular, ou no home estúdio de amigos.

“Passando uma temporada em São Paulo com a Volver, sempre me perguntavam o que havia de novo na cena musical de Pernambuco. Eu acabava indicando um ou outro, e acabei percebendo que muitas bandas tinham trabalhos gravados em casa, e algumas até, nunca tinham feito shows”, disse Zeca, que idealizou o projeto com o intuito de dar vazão e visibilidade ao que está sendo produzido por esses novos artistas.

Ao projeto, juntaram-se parceiros de peso, como Recife Rock, Coquetel Molotov, a revista O Grito, a paulista Agência Alavanca, e a gravadora Trama Virtual, que se encarregou do lançamento nacional da coletânea, disponibilizando ainda a compilação para download no site (www. tramavirtual.com. br).

Ao todo, a coletânea reúne 21 composições de bandas - e também de artistas solo - da nova cena musical pernambucana. Entre os nomes escolhidos, alguns já conhecidos do grande público como o rock de “Johnny Hooker & Candeias Rock City”, que se apresentou no Abril pro Rock do ano passado, e o som eletrônico da banda “Julia Says”, que entre outros, passou pelo palco do Rec Beat. “ Procuramos fazer um mix de diferentes estilos, e também de gente que já faz shows, com quem nunca se apresentou para o grande público” frisou Zeca.

Gente como a jovem Lina Jamir, que assina a faixa sete da coletânea intitulada “Terra Gira”. Misturando música eletrônica com MPB, a garota é uma das apostas do projeto.

Além do site da Trama Virtual, as músicas selecionadas também estão no blog do projeto (recifelofi.blogspot.com), que além de disponibilizar os links para download, também traz depoimentos dos artistas relatando como foi a experiência de gravação de suas composições em estúdios caseiros.De acordo com o baterista, o grupo já trabalha na seleção de artistas para uma segunda coletânea que deverá ser lançada no segundo semestre. Os interessados em participar podem encaminhar seus trabalhos para o e-mail descrito no blog e aguardar a nova seleção.

Para a festa de amanhã foram escolhidos quatro nomes que compõem a coletânea para as apresentações. Gleisson Jones, Julia Says, Ex exus, e o próprio Zeca Viana, que apresenta seu trabalho solo. Além de discotecagem de Vivi Menezes, Mucuri, D Mingus e Jarmeson de Lima.

Serviço

Lançamento Coletânea Recife Lo-Fi

Amanhã (5), às 22h

Bar Quintal do Lima

Ingressos: R$5

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 04/02/2010

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nando Reis agita Porto de Galinhas

O Lual da Vila de Todos os Santos acontece na véspera do feriado

O mês de setembro mal começou, mas o que importa mesmo é que junto com ele chega também a estação mais quente do ano. Comemorando o feriado que marca a abertura oficial do verão por aqui, a Vila de Todos os Santos, em Porto de Galinhas, promove a festa “Lual da Vila”. Comandando a festa, o cantor e compositor Nando Reis apresenta pela primeira vez por aqui as músicas do seu mais novo CD “Drês”. Além de Nando Reis, as bandas pernambucanas Eddie e Nós 4 também prometem esquentar a noite de quem estiver por lá. O cantor fala sobre o evento:

Você tem uma relação bem interessante com o público de pernambuco. Está sempre fazendo shows por aqui. Esse é o primeiro show da turnê com o novo CD “Drês”, o que os fãs podem esperar de novidade?

Eu já vou a Pernambuco há muitos anos desde que começei minha carreira solo, gosto muito de tocar em Recife, o público sempre me recebe muito bem. Estou super empolgado de mostrar esse trabalho porque é tudo novo. Além das músicas, claro, tem cenário diferente, luz nova. O show tá muito legal.

É muito comum falarem que você é um copositor bastante autobiográfico pelo teor das suas músicas que sempre falam da suas experiências, dos seus filhos, ads suas relações. Essa exposição te incomoda de alguma maneira?

Eu não me importo em falar da minha vida. De uma certa maneira, no final das contas, todo mundo está sempre falando de si próprio. Isso é o que me dá instigação para produzir. Mas na verdade minhas músicas têm mais do que eu gostaria de ser, do que o quê eu realmente sou. São um desejo.

Em “Drês” você faz uma parceria com a Ana Cañas na música XXX como é voltar a fazer duetos?

Eu conheci a Ana e a gente se deu muito bem. Eu adoro a voz dela. Confesso que tem uma grande queda por vozes femininas, já tenho um logo histórico desde os tempos da Cássia. Sempre que possível gosto de fazer algo assim.

No início do ano foi lançado um documentário sobre os Titãs “A vida parece uma festa”. Em uma entrevista, na ocasião do lançamento do seu novo CD, você fez uma declaração de amor ao Branco Melo e ao grupo. Isso significa que qualquer mágoa que possa ter existido com a sua saída já foi superada?

Sim, houve uma mágoa, mas isso já sumiu completamente. A prova disso é o que está no documentário. Ele expressa muito bem o que é o titãs e a nossa relação. É lógico que as coisas mudaram, a gente já não se vê com a mesma frequência. Mas sempre que nos encontramos é uma festa. Eu adoro aqueles caras.

Você é um músico que costuma produzir bastante. Como é seu processo de criação. Agora que você está em turnê, existe uma pausa nas composições?

Sempre que gravamos um disco a gente já abre espaço para o próximo. Não tenho uma fórmula pré-determinada. Na verdade, tudo acontece ao mesmo tempo. Já tenho algumas coisas que pretendo usar, mas nada certo ainda.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A festa de Móveis Coloniais de Acaju

Pensando em assistir um show da banda Móveis Coloniais de Acaju? Então comece a fazer uma preparação reforçada. Muita água para hidratar, alongamentos e muito, mais muito exercício de resistência. Algum passante desavisado que tenha resolvido entrar no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, na noite do último sábado, por um momento deve ter pensado que errou de festa, e entrou num show de axé que acontecia próximo dali. Gente balançando os braços, batendo palma e pulando – literalmente saindo do chão – sem parar um só minuto. Mas passado o primeiro momento de “choque” essa pessoa provavelmente percebeu que o quê se ouvia era bem mais interessante aos ouvidos.
A banda brasiliense não pode, exatamente, ser chamada de nova, já que são mais de dez anos de carreira, dos quais os últimos quatro foram de mais expressão o cenário nacional. Porém, só agora o grupo gravou o segundo CD (C_mpl_ete), e, foi justamente este, o show de lançamento na cidade.
Sob o comando do vocalista André Gonzáles, os meninos da Móveis subiram no palco por volta da uma da manhã, mas nem o avançado da hora, nem o calor, tiraram o ânimo (e o fôlego) da banda.
Começando pelo sucesso do primeiro disco “Seria Rolex?” o grupo engatou a primeira e não parou mais. “Falso Retrato” e “Cheia de Manha” vieram na seqüência, e, antes mesmo que Gonzáles desse boa noite aos fãs que se espremiam no gargarejo, aquele passante desavisado já poderia esboçar um certo cansaço. Mas, para sua surpresa, ainda tinha uma maratona de uma hora de show pela frente.
Com uma batida marcante e uma qualidade nos metais incontestável, a Móveis mostrou porque faz jus ao título de maior promessa da cena de música independente do país. E, como toda boa banda independente, percebeu que é justamente na relação visceral com os fãs que ela encontra seu maior trunfo. Não por acaso, ao som de “Copacabana” parte da banda foi para o chão dançar e pular numa roda aberta no meio da plateia. Também não por acaso, a banda já atingiu a marca de 20 mil discos baixados em seu site. Já no bis, ao som de “Perca Peso” outro título dado a banda se confirma: o de “micareta indie”. Provando que a “Móveis” pode sim fazer um som de qualidade, mas com direito a coreografia.
Quase uma hora depois do fim do show foi a vez da “Eddie” e seu Original Olinda Style subir ao palco para encerrar a noite – dos que ainda tinha fôlego – em um ritmo pouco menos acelerado.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

“Estação Retrô anos 80” para a festa de várias gerações

Em sua segunda edição, evento no Chevrolet Hall é oportunidade de “rever” velhos conhecidos

Não se pode viver de passado, mas um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém. Pensando nisso, a festa “Estação Retrô anos 80”, que acontece amanhã, no Chevrolet Hall, chega a sua segunda edição prometendo dar aquele gostinho de “flashback” aos mais crescidos. Assim como é uma oportunidade de novas gerações conhecerem artistas que fizeram história na década de 80.

Ao logo da noite sete atrações se revezam no palco, e prometem agitar o público ao som de clássicos da época como “Ursinho blau-blau” de Sylvinho Blau-Blau, as letras bem humoradas e de duplo sentido do Dr. Silvana, como “Taca a mãe pra Ver se Quica” e “Amante profissional” e ainda “Manequim” e outros sucessos do Dominó, na voz de Afonso Nigro. Kid Vinil, Avellar Love (do João Penca e os Miquinhos Amestrados) e Guilherme Isnard completam a programação.

Encerrando a noite, o cantor Paulo Ricardo promete fazer um show que vai unir sucessos de sua fase roqueiro, à frente do grupo RPM, passando por sua carreira solo, até canções de seu novo trabalho, “Prisma”. “ O show faz parte da turnê do CD, e além de músicas deste disco, também tem coisas em inglês como “Beatiful girl” do Acustic live “, diz o cantor, que complementa: “ Também vou incluir grandes sucessos da carreira solo como “Dois”, “Tudo Por Nada” “Imagine” e, claro, do RPM “Olhar 43”, não pode faltar”.

O show de Paulo Ricardo, inclusive, é o que vem menos carregado das características oitentistas. Para o artista, essa também é uma oportunidade de aproximar públicos distintos. “Eu acho lisonjeiro esse interesse do mundo por essa época, entendo o conjunto de referências dessa década, principalmente pra quem não viveu. Mas também tento seguir em frente e explorar novos caminhos”, disse Paulo, para depois frisar: “Ao mesmo tempo, tocamos antigos sucessos com uma fidelidade absoluta aos arranjos”, completou.

Serviço
“Estação Retrô Anos 80”
Chevrolet Hall, Sábado (25), a partir das 21h
Ingressos: Pista R$ 50, estudante R$ 25, Mesa Premium R$ 400 e camarote de R$ 500 à R$ 700, à venda no local ou nas lojas Esposende
Informações: 3427 7500


* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 24/07/2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Fãs de Dominguinhos enchem o Chevrolet Hall

É sempre bom ver uma carreira de sucesso ser reconhecida. Principalmente quando se trata de um artista como Domingos, cuja vida e a música são coisas praticamente indissociáveis. Foi para celebrar essa trajetória que o cantor fez o lançamento oficial de seu primeiro DVD, na noite do último sábado, no Chevrollet Hall.

Com mais de 50 anos de carreira e pelo menos 40 discos gravados, é estranho imaginar que o sanfoneiro está fazendo sua “estreia” numa mídia já tão popularizada. Mas é justamente isso que fez desse lançamento um evento tão especial. “O DVD marca uma ocasião especial, foi gravado no dia 13 de dezembro, dia Nacional do Forró, e também dia do nascimento de Luiz Gonzaga. Não haveria ocasião melhor”, disse Dominguinhos.

Logo na abertura do show, o sanfoneiro já deu indícios do que a noite reservava à plateia. Ao entoar os primeiros versos de um dos maiores clássicos do velho Gonzaga, “Baião”, os casais já tomavam a pista de dança. “Boa noite Recife e Olinda, é um prazer cantar e mostrar o meu 1º DVD para vocês. Tinha que ser na minha terra” disse, orgulhoso, o sanfoneiro, já emendando com mais uma de Gonzagão, “Riacho do Navio”No show, assim como no dia da gravação do DVD, que aconteceu em Fazenda Nova, Dominguinhos dividiu o palco com amigos e antigos parceiros de composições.
Tocando ao lado da ex-mulher, Guadalupe, o músico protagonizou um dos momentos mais poéticos da noite com a música “De volta pro Aconchego”, uma composição dele em parceria com Nando Cordel. O amigo subiu ao palco logo em seguida e fez a platéia cantar outras composições de sucesso da dupla, como “Gostoso demais” e “Isso aqui ta bom demais”. O terceiro convidado da noite, foi o forrozeiro Jorge de Altinho, seguido por Alceu Valença que fez questão de comemorar. “Até que enfim nos encontramos Domiguinhos, há muitos anos que a gente não fazia nada junto. Tá na hora de fazer de novo”, brincou o cantor.

Alceu terminou de incendiar a platéia alternando sucessos de sua própria autoria, como “Pelas Ruas que Andei” e “Coração Bobo”, com mais algumas composições de Luiz Gonzaga como “Xote das Meninas” e Sabiá. No final, Dominguinhos confirmou porque está a tantos anos na estrada “Acabou o tempo que sanfoneiro tocava só no São João. Eu toco o ano todo. Só não toco mais porque não ando de avião”, brincou.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 01/06/2009