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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Montagem de “O Auto da Compadecida” faz 18 anos

Clima de festa permeou a apresentação no Teatro do Parque

Clima de festa, fila na porta, banda e artistas de circo dando boas-vindas aos convidados. O clima dava indícios que se tratava da comemoração de uma data bastante importante. Na noite de ontem, o público lotou o teatro do Parque para prestigiar o aniversário de 18 anos da montagem “O Auto da Compadecida”, da Dramart produções. A peça é inspirada na obra homônima de Ariano Suassuna.

Foi uma noite de emoção para quem estava nos dois lados do palco. Na plateia, nomes ilustres que já fizeram parte da produção, como o maestro Forró - que fazia parte da banda do espetáculo, quando ainda não tinha sequer recebido o título de maestro - davam o tom comemorativo da festa. Era momento de celebrar uma marca dificilmente atingida no teatro, principalmente em se tratando de produções locais.

Em cena, os atores mostraram o porquê de estarem há tanto tempo em cartaz. O elenco se diverte no palco, é quase como se cada montagem já tivesse se apropriado de seu personagem. O tom popularesco de circo mambembe, no qual um palhaço é o narrador da história, aproxima o público do universo apresentado brilhantemente no texto de Ariano.

Mesmo não contando com apresentações regulares, a sintonia entre Sóstenes Vidal (João Grilo) e Williams Sant’Anna (Chicó) é evidente. Sóstenes, inclusive, tem passado boa parte de seu tempo no Rio do Janeiro, em função das gravações da próxima novela global (Passione) da qual fará parte. Mesmo diante da ausência de ensaios, e da agenda esparsa de apresentações, a relação entre os atores em cena é bastante interessante.

Ao final do espetáculo, Williams assumiu o lugar de Socorro Raposo (fundadora da Dramart) e fez as honras da casa falando da felicidade do elenco em atingir a maioridade com a peça. O ator falou da experiência adquirida nas apresentações feitas por todo País e prestou uma homenagem ao ator e encenador Marco Camarotti - falecido em 2004 -, que durante anos dirigiu o espetáculo. Para encerrar a comemoração em grande estilo, João Grilo com toda sua irreverência regeu a banda num grandioso “Parabéns pra Você”.

* A matéria foi publicada no caderno "Geral" da Folha de Pernambuco de 15/03/2010

A maioridade de um clássico

Adaptação de “O Auto da Compadecida”, da Dramart Produções, completa 18 anos em cartaz

Difícil encontrar um espetáculo que tenha permanecido tantos anos na estrada sem grandes alterações. Ainda mais, em se tratando de um grupo tão extenso. A montagem Dramart Produções reúne, ao todo, 15 atores, cinco músicos e quatro técnicos, que juntos, completam amanhã 18 anos de apresentações ininterruptas, se gabando de terem sofrido apenas algumas poucas substituições. A data especial será celebrada em uma única apresentação, às 19h30, no Teatro do Parque. Com ingresso promocional de aniversário no valor de R$10 para todos.

Para saber um pouco mais sobre a história por traz da história, a Folha de Pernambuco conversou com atores que acompanharam toda esta jornada: Socorro Rapôso, Compadecida e fundadora da Dramart; Luiz César, padre João e co-fundador da Dramart; Célio Pontes, Severino do Aracaju e ex-assistente de direção do espetáculo; Williams Sant’Anna, Chicó e atual assistente de direção; e Leidson Ferraz, que vive os papéis do frade e do demônio, relembraram fatos e curiosidades divertidas, e outras que guardam com carinho, dessa montagem que caiu nas graças do público e já faz parte da história do teatro pernambucano.

Começando do começo, em 1991, a produtora Socorro Rapôso iniciou o planejamento de um espetáculo para celebrar os 10 anos da Dramart Produções, comemorados no ano seguinte. De Ariano Suassuna, dramaturgo admirado e amigo de Socorro, a farsa “O Auto da Compadecida” foi a eleita. A escolha do texto também tinha origem na relação pessoal de Socorro com a peça. “O Auto...” foi o primeiro espetáculo da vida da produtora, tendo feito a Compadecida com o grupo Teatro Adolescente do Recife em 1956. Na direção, mais um amigo, o professor Marco Camarotti, PhD em Teatro Popular.

A estreia da nova montagem aconteceu no dia 14 de marco de 1992, no teatro Valdemar de Oliveira. De lá pra cá foram muitas temporadas e muita história. A própria Socorro teve a chance de ir à Sapucaí com seu personagem. “Em 2002 a Império Serrano fez o desfile em homenagem a Ariano. Na época a minissérie da TV estava no auge, e todo elenco foi convidado. Mas em uma entrevista para o Jornal do Brasil, Ariano disse que gostaria que, com relação à Compadecida, convidassem ‘a de ontem, de hoje e de sempre’. Se referindo a mim”, conta Socorro, recordando o desfile que a emocionou muito.

Como co-fundador da Dramart Produções, o ator e produtor Luiz César chegou ao elenco meio que por acaso. Quando cursava Relações Públicas na mesma faculdade de Socorro, Luiz foi confundido com um padre que estudava na mesma sala. Do episódio, veio um namoro e um convite para integrar o elenco. “Acho que ela me achou com cara de padre. Desde então, esse acabou sendo um papel recorrente na minha vida”, brinca Luiz César.

As histórias são muitas. Célio Pontes tem lembranças de quase toda uma vida. Entrou para Dramart quando ainda tinha 14 anos, no espetáculo “O Mágico de Oz”. Pouco tempo depois, foi convidado por Socorro para fazer parte do elenco do Auto. Mas, foi um convite de Camarotti que foi decisivo na carreira de Célio. “Marco Camarotti me chamou para ser assistente de direção do espetáculo. Isso me deu a oportunidade de aprender muito sobre todos os aspectos do teatro”, destaca o ator.

Outro que atribui ao “Auto...” a emoção é Williams Sant’Anna. Além de ter com Sóstenes Vidal, seu companheiro de cena que vive João Grilo, uma enorme cumplicidade, o ator tem uma relação bastante próxima com os demais companheiros de palco. “Fazer o Palco Giratório do Sesc era um grande sonho. Em 1998, quando finalmente havíamos conseguido e estava tudo pronto para começarmos a turnê pelo Interior do Estado, eu fiquei muito doente. Tínhamos a opção de desistir de um sonho e frustrar o grupo inteiro, ou tentar fazer, mesmo assim. E nós fizemos”, lembra ele.

Leidson Ferraz, o caçula da turma, também foi um dos últimos a entrar no elenco - três anos depois do debut da montagem. “Estreei com o teatro Santa Isabel lotado. Como meu personagem tem uma relação com a plateia, foi uma coisa muito especial”, recorda Leidson.

Além da apresentação deste domingo, o grupo aguarda a finalização do edital Funcultura 2009, no qual concorrem com um projeto de oito apresentações populares do “Auto...”, com distribuição gratuita de 200 convites.Outro projeto que a Dramart tem na gaveta, à espera de patrocínio, é apresentação do espetáculo usando igrejas como cenário para montagem.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 13/03/2010