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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Famílias marcam estreia da Paixão de Cristo do Recife

Apresentações gratuitas seguem até o Domingo de Páscoa

A noite de lua e o bom tempo foram propícios para dar início à 14ª temporada de apresentações da Paixão de Cristo do Recife. Na noite de ontem, José Pimentel e um elenco formado por cerca de 50 atores pernambucanos e mais 300 figurantes encenaram mais uma vez a história de amor e sofrimento de Jesus Cristo. Na Praça do Marco Zero, o que se pôde ver foram muitas famílias que levaram crianças de todas as idades para acompanhar o espetáculo. As apresentações, gratuitas, seguem até o Domingo de Páscoa, sempre às 20h.

A auxiliar de serviços gerais Célia da Silva assistiu ao espetáculo ao lado do marido e dos dois filhos, de 7 e 4 anos. “Já tinha trazido eles para assistir ao ‘Baile do Menino Deus’ e eles adoraram. Foram eles mesmos que pediram para vir novamente”, disse Célia, que é católica e acha o momento de celebração importante para fazer as crianças terem mais contato com a história de Jesus.

Um menino de 11 anos, que terá seu nome preservado, também estava acompanhando tudo atentamente - apesar de, entre uma cena e outra, aproveitar para vender alguns sacos de pipoca. “É bom porque dá para assistir e vender bem. O movimento sempre aumenta”, afirmou o garoto.

Para Antônio Araújo, a experiência se repete há algum tempo. Trabalhando como gari há 16 anos, Araújo disse que todos os anos faz questão de parar um pouquinho o trabalho para acompanhar as cenas que mais gosta. “A parte que mais me emociona é a morte de Cristo”, destacou. E esse é, de fato, o principal mérito da Paixão de Cristo do Recife: aproximar do teatro pessoas com poucas oportunidades de ter esse contato, através de uma história que tem um forte apelo popular.

PRODUÇÃO

Já no contexto cênico, a apresentação de ontem passou por dificuldades. Em algumas passagens, a direção de elenco pecou tanto na colocação dos atores, quanto dos figurantes. A exemplo do bacanal de Herodis, que, além de ter sido excessivamente logo, virou um grande amontoado de pessoas.

José Pimentel, que comemora, em 2010, 33 anos no papel de Jesus, também enfrentou alguns problemas técnicos na passagem da crucificação e no momento apoteótico da ressurreição. Neste último, aparentemente, o cabo que faz a suspensão do ator demorou a funcionar, quebrando um pouco o ritmo do espetáculo.

* A matéria foi publicada no caderno "Geral" da Folha de Pernambuco de 01/04/2010

Uma Paixão para o Recife

Em sua 14ª temporada, espetáculo marca os 33 anos de José Pimentel no papel de Cristo

Hoje, pela 14ª vez, o Marco Zero, no Recife Antigo, recebe a montagem da “Paixão de Cristo do Recife”. E a história, contada em três palcos, que se transformam em nove diferentes cenários, tem uma conotação diferente para o elenco, em especial para José Pimentel, que este ano comemora 33 anos interpretando Jesus. O espetáculo está diferente - diferenças facilmente percebidas para quem acompanha sua trajetória desde o início.

Pimentel, que além de atuar, assina a direção do espetáculo, diz que haverão novos efeitos de luz na passagem da ressurreição. “Mesmo a cena da ascensão - que já vem sendo bastante elogiada -, passou por reformulações para surpreender o público”, diz. E destaca como outro ponto forte do espetáculo, o envolvimento dos atores com os personagens, já que a maioria faz parte do elenco desde o início. A montagem, que surgiu como uma “alternativa” à “Paixão de Cristo de Nova Jerusalém”, deixou de lado o ar de improvisação.

Falando sobre as questões práticas, adereços e figurinos foram reformados e os efeitos cênicos estão mais significativos. Lilian Pimentel - filha de José Pimentel -, e Roberto Vasconcelos são os responsáveis pelas mudanças. Octávio Catanho, mais conhecido como Tibi, é o responsável pela cenografia dos palcos, que a cada ano precisam ser reforçados em função do forte vento no local.

Tempos melhores e recentes. No ano passado, em função de cortes nos recursos, o espetáculo fez apenas três apresentações, ao contrário das cinco habituais (este ano, as apresentações seguem até o próximo domingo, quando é comemorada a Páscoa). Mas de acordo com o diretor da Associação de Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), Paulo de Castro, que faz a produção do espetáculo, nessa temporada os recursos alcançados através de patrocínios e parcerias atingiram R$ 336 mil, quando o projeto geral estava orçado em R$ 450 mil. “Ainda assim conseguimos fechar as cinco apresentações”, disse o produtor. Gratuita, a encenação chama atenção do público, que responde ao empenho da produção em manter a agenda. “Mesmo com tantas opções as pessoas vão ao Marco Zero assistir a magia que transforma aquele local. Além da emoção da história, também é fundamental a localização, e o fato do espetáculo ser aberto a todos. A “Paixão do Recife” é importante porque é um espetáculo para família,de paz”, garante Paulo de Castro.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 31/03/2010

Paixão de Cristo está pronta para o público

Expectativa é receber sete mil espectadores diariamente


Tudo pronto para dar início a 43ª temporada do maior espetáculo ao ar livre do mundo. De hoje até o próximo dia 3 de abril, a cidade cenográfica de Nova Jerusalém, localizada no Brejo da Madre de Deus, Agreste pernambucano, receberá um público diário de aproximadamente sete mil pessoas para acompanhar a saga da Paixão de Cristo.

Na noite de ontem, em sessão especial para convidados e Imprensa, o elenco global formado por Eriberto Leão, Suzana Viera, Paulo César Grande e Mauro Mendonça mostrou que está afiado com história, fazendo uma apresentação praticamente impecável. A única exceção foi uma pequena falha no áudio durante a cena do Tribunal de Pilatos, mas que foi rapidamente solucionada.

Depois de tantas temporadas a “Paixão” está cada vez mais grandiosa. A cenografia é impecável, bem como os figurinos, que levam a marca incontestável de Xuruca Pacheco. A professora aposentada, Aglaiena Costa, ficou surpresa com a grandiosidade da montagem. “Não assistia ao espetáculo desde os tempos de (José) Pimentel. Estou achando tudo uma maravilha”, disse a Aglaiena, que assistiu a apresentação ao lado da irmã e da filha.

Outra preocupação da produção, pelo segundo ano consecutivo, diz respeito à acessibilidade. Para isso, a apresentação de hoje vai contar com um grupo de apoio que vai acompanhar cadeirantes, e grupos da melhor idade, auxiliando na locomoção entre os cenários. A cadeirante Maria Niedja acompanha o espetáculo há vários anos e aprovou a iniciativa. “A estrutura está cada vez melhor. O apoio nos dá mais segurança para percorrer as distâncias”, afirmou.

Voltando ao desempenho dos atores, Eriberto Leão, tinha como objetivo apresentar um Cristo mais “Guevariano”, entretanto sua atuação não pareceu tão revolucionária. Quem de fato roubou a cena, foi Suzana Viera, que longe de ser uma Maria contida, ganhou mais falas e a tietagem do público.

Durante a coletiva de Imprensa realizada após a apresentação, a atriz destacou que veio fazer uma Maria questionadora e revolucionária. “Quando cheguei no ensaio fiquei revoltada porque vi uma Maria apagada, escorada em João Batista e em Maria Madalena. Eu disse eu não, eu vou me estapiar com aqueles guardas. Eu sou Maria do Carmo, uma Maria pernambucana. É essa a Maria que fiz. Revolucionária e briguenta”, afirmou a atriz, que ainda está com algumas dificuldades em acertar o ritmo da dublagem do espetáculo.

* A matéria foi publicada no caderno "Geral" da Folha de Pernambuco de 26/03/2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Uma Nova Jerusalém cada vez mais Projac

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é mega. E não é só uma questão de espaço físico. Surpreendendo e reinventando-se, o espetáculo chega a sua 43ª edição - a temporada deste ano começa em 26 de março e vai até o dia 3 de abril - com novidades. Entre as principais, falando cenograficamente, o Templo ganha piras que vão ordenar a passagem durante toda cena, além de queimadores de incenso que perfumarão o local com objetivo de reforçar ainda mais o clima de religiosidade. Mudanças também no cenário da Via Sacra, que mudará de local, deixando a visibilidade do público mais ampla e também facilitando o deslocamento entre os palcos.

Mas a festa que já toma conta da cidade cenográfica, localizada em Fazenda Nova, no Agreste pernambucano, não é resultado apenas da expectativa em assistir à montagem, conhecida como a maior da terra, que narra a história de Jesus Cristo. Os atores há muito tempo deixaram de apenas participar do espetáculo para ser o próprio. Principalmente os globais. Tanto que desde domingo, quando Eriberto Leão, escalado para viver o papel principal, e Suzana Vieira, que será Maria, chegaram ao lugar para gravar os primeiros VTs promocionais, o clima mudou. Ficou mais agitado. Uma prévia dos gritos e flashes já costumeiros das fãs enlouquecidas em ver mais um Cristo em trajes mínimos.

Eriberto Leão viverá Jesus pela segunda vez em sua carreira. O ator interpretou o personagem em 2005. “Se tivesse agenda compatível, e eles me quisessem, sempre participaria do espetáculo. Mais vezes do que o Pimentel”, brincou o ator, referindo-se a José Pimentel - primeiro protagonista do espetáculo - no início da coletiva da imprensa realizada na tarde de ontem, na cidade-teatro.

De volta ao papel do filho de Deus, Eriberto fez questão de ressaltar que vive um Cristo “Guevariano”, destacando que um verdadeiro revolucionário é aquele movido por amor. “Foi assim com o Cristo”, disse. O ator retorna ao papel, coincidentemente, depois de ter vivido na TV o personagem Zeca - filho do Diabo - na novela “Paraíso”, da Rede Globo. Para ele, a sucessão de acontecimentos tem relação. “Quando o Zeca reverenciava Nossa Senhora, ele reverenciava a mãe terra. Essa mãe é Maria. Muitas pessoas lêem a Bíblia, mas não têm a compreensão de respeito à terra e à vida. Aqui sinto que posso falar sobre isso. Essa é a mensagem a ser passada”, frisou Eriberto.

Depois de ter recebido vários convites para viver Maria Madalena, mas nunca ter conseguido conciliar a temporada do espetáculo com suas gravações em novelas, Suzana Vieira finalmente vem à Nova Jerusalém com um personagem ainda maior, o da mãe de Jesus. “Essa experiência é algo muito diferente para mim como atriz. Estou muito feliz por terem lembrado de mim”, brincou a atriz, lembrando que sua mãe tinha muita vontade de assistir ao espetáculo, mas faleceu antes de conseguir realizar o sonho.

Completando o elenco principal, a atriz Dig Dutra (a Maria Abadia do Zorra Total) viverá Maria Madalena e Mauro Mendonça interpretará o rei Herodes. Em cena, junto com eles um elenco total de 60 atores e mais 500 figurantes, ajudam a compor a atmosfera fascinante que envolve a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém.