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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Rafinha do CQC faz sucesso em PE

Foto: Arthur Mota
Ninguém, em sã consciência, gosta de ser insultado. Porém, para as pessoas que lotaram as duas sessões (com ingressos esgotados, a produção abriu uma sessão extra) do stand up comedy “A Arte do Insulto”, ontem no teatro da UFPE, isso não parece ser problema. Mérito atribuído ao humorista, ator, e jornalista, Rafinha Bastos, que ao longo de aproximadamente 60 minutos consegue fazer a plateia rir de si própria, e também de temas delicados como religião, preconceito racial, pena de morte, entre outros.

Para conseguir tal façanha, sem que ninguém sinta-se realmente “insultado”, Bastos - que ganhou projeção nacional como um dos apresentadores do programa Custe o Que Custas (CQC), da rede Bandeirantes - começa o show fazendo graça de sua própria condição. Gaúcho e judeu, as piadas sobre circuncisão e a opção sexual dos seus conterrâneos são inevitáveis. A estratégia acaba aproximando o humorista do público, que seguem o espetáculo em sintonia, como se fosse, na verdade, uma conversa - que é de fato a característica desse tipo de espetáculo.

Conhecido pelo humor ácido e irritadiço (bastante parecido com o tipo de humor contido nos textos da apresentadora e roteirista Fernanda Young), até sua falta de tolerância para alguns assuntos viram motivo de piada. Seja a falta de paciência com as filas preferênciais no banco, a indisponibilidade para acordar cedo, ou até mesmo a aversão a fotografia durante o show - que o diga o fotografo desse jornal, que acabou ganhando uma sentada no colo do artista - acabam tornado-se temas do espetáculo, e graças ao carisma de Rafinha.

Ao final da apresentação o saldo foi bastante positivo, ainda que alguns fãs tenham saído um pouco desapontados. “Senti falta de críticas mais políticas, que são bem característica dele no CQC. Mas ainda assim gostei bastante do show” comentou a empresária, Joana Halley. Em resumo, “A arte do insulto” acaba sendo um programa bastante agradável para um final de domingo, isso se você não tiver nascido em Rondônia. Esses sim, talvez tenham sido “insultados”.

* A matéria foi capa e publicada no caderno "Geral" da Folha de Pernambuco de 20/07/2009

domingo, 19 de julho de 2009

Rafinha Bastos e a sua "Arte do Insulto" na Federal

O teatro da UFPE recebe neste domingo, às 20h, o espetáculo “A Arte do Insulto”, protagonizado pelo jornalista e ator Rafinha Bastos, um dos apresentadores do programa Custe o Que Custar (CQC), da Band. O show segue o formato de stand up comedy - gênero no qual o humorista se apresenta sozinho, de pé, sem acessórios cênicos, ou qualquer artifício visual. Na TV com o programa - onde além de apresentação ele faz matérias - e em inúmeras campanhas publicitárias, sucesso de público, e do Youtube, Rafinha vive hoje a melhor fase de sua carreira. O caderno de Programa conversou com o humorista, que falou sobre os desafios do espetáculo, sobre a carreira e o sucesso do programa CQC.

Por que “A Arte do Insulto”?
Eu botei este nome pra plateia se preparar e saber que os temas não são nada usuais. Mas não é para insultar ninguém.Quero sim, tratar de assuntos difíceis que normalmente não são vistos em shows de humor.

Apesar de ser um show de stand up comedy, o espetáculo exige muito do seu trabalho como ator?
Quando eu subo no palco, sou eu mesmo. Falo minhas histórias, faço minhas críticas, é mais um trabalho de ser eu mesmo. O material é todo escrito por mim, com base em experiências que vivi.

Assusta saber que o único artifício que você pode lançar mão no show é a sua criatividade?
Não vou mentir pra você, nunca. Eu nasci fazendo isso. Minhas experiências profissionais são todas desse tipo. É claro que é sempre muito excitante levar isso para uma plateia nova. Não assusta, o que rola é uma empolgação.

Além de ator, você também é jornalista, a decisão do STF sobre a não obrigatoriedade do diploma já virou tema de piada no espetáculo?
Tenho ficado full time com CQC e não tenho trabalhado muito com o texto. Falo de coisas atemporais. Os novos textos devem entrar no próximo espetáculo que pretendo estrear no ano que vem.

Saindo um pouco do show, na TV, com o CQC você está à frente do quadro Proteste já, responsável pela parte mais política do programa. Como é essa experiência?
Tenho muito orgulho de fazer o Proteste Já. Ele me dá possibilidade de fazer jornalismo e humor, confrontar autoridades de forma bem humorada em rede nacional.

Você foi um dos pioneiros a divulgar seu trabalho na internet. Ainda hoje, é um dos mais vistos no Youtube, mantém um blog e é twittero assíduo. É difícil administrar tantos perfis na rede?
Eu gosto muito de fazer o que faço na internet. É a oportunidade de me ligar diretamente com meu público e conversar com eles. Não é trabalho é prazer.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 17/07/2009