terça-feira, 11 de novembro de 2008

Harvie Krumpt (Adam Elliot, Austrália, 2003)


Não é por menos que o filme do diretor australiano, Adam Elliot, faturou o Oscar de melhor curta-metragem de animação em 2003. Harvie Krumpt, além de ser meticulosamente bem executado, é um filme tocante. A narrativa que conta a trajetória de vida de seu personagem principal é cercada de episódios um tanto quanto, pouco usuais. E acima de tudo, sua história é cercada por fatos. Fatos comuns a vida de todos nós, mas que por algum motivo são omitidos. Na maioria das vezes, por que preferimos ignorá-los! Fatos como a beleza da nudez, a impetuosidade das crianças com o que é diferente, ou mesmo a imprevisibilidade da morte. Adam Elliot explora em seu filme as idiossincrasias dos seres humanos.


Animação feita em “Stop Motion” (técnica que usa imagens paradas filmadas em sequência), Harvie Krumpet chama atenção também pelos detalhes: que vão desde rachaduras nas paredes aos efeitos de luz, e expressão dos personagens. Elliot também utiliza muitos efeitos de “fade in” e “fade out” para pontuar as passagens de tempo da história, dando ao público uma sensação de transição dos momentos de vida do personagem.


A narração feita pelo ator, Geoffrey Rush, também merece destaque. É ela que dá o tom e a intensidade do filme, sem que para isso tenha que brigar com a imagem. Um exemplo disso, é o momento em que Harvie decide se tornar nudista: Tanto a narração de Rush, quanto a trilha sonora ganham um ritmo ofegante. Dando a dimensão e o impacto que as mudanças tinham trazido à vida de Harvie.


Adam Elliot e Harvie Krumpet chegam, em alguns momentos, a terem semelhanças físicas. Entretanto, seria precipitado dizer que o diretor reproduziu momentos de sua infância tímida em Melbourne. O fato, é que o simpático bonequinho tem fácil identificação com as lembranças de qualquer pessoa. Ainda que ele viva em um mundo a parte. A história, que muitas vezes nos arremete às fábulas infantis, é repleta de pequenas “morais”. Porém, o humor irônico de Elliot dá ao filme um certo caráter subversivo.Além de dialogar com um estilo tragicômico. Harvie Krumpet é um excelente exercício de questionamento de valores e visões de mundo, no qual somos conduzidos através do olhar de um personagem que nunca desiste de sua vida e busca sempre uma explicação para as coisas.

Assista o filme:

Parte 1:
http://www.youtube.com/watch?v=CSJVl24LRtk

Parte 2:
http://www.youtube.com/watch?v=Fxv1w2CDKQU&feature=related

parte 3:
http://www.youtube.com/watch?v=VdLyYvytutA&feature=related



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ausência Justificada

Melhor do que discursar sobre os motivos que me deixaram sem atualizar o blog por mais de um mês, é mostrar um desses motivos.

Segue a baixo a crítica do curta alemão, Motodrom. Texto que me levou ao grupo de jovens críticos que farão a cobertura do Janela Internacional de Cinema do Recife – Festival que acontece de 13 à 20 de novembro na Fundação Joaquim Nabuco – Em breve trago mais informações .


Motodrom


A primeira sensação que temos ao assistir Motodrom é de que estamos dentro do globo da morte com as motos passando sobre nossas cabeças. Com planos pouco usuais e quase hipnóticos, o curta do diretor alemão, Jörg Wagner é um filme sensorial que transporta o espectador para a realidade de motoqueiros circenses que ganham a vida desafiando a morte. É justamente esse caráter documental que faz de Motodrom um filme tão peculiar, já que o formato de curta-metragem é pouco utilizado por documentaristas. Além disso, Jörg Wagner optou por fazer um filme mudo, pontuado apenas pelo ronco dos motores das motos em atividade. Um risco para esse tipo de narrativa, mas que ao mesmo tempo dá ao filme uma linguagem universal.

O tratamento de som, bem como das imagens em PB bastante granuladas, são uma atração à parte. Bem como a participação do público que em meio ao entra e sai frenético das apresentações, assiste atento às manobras de cima do Motodrom, e dão ao filme a conotação do real. Jörg Wagner consegue passar através de sua montagem o tom energético e pulsante que dimensiona a vida desses artistas. Não por acaso, o filme recebeu uma menção honrosa no Festival de Sundance, em 2007.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira


Que Fernando Meirelles era um diretor capaz de fazer proezas num filme, isso todo mundo já sabia. Que a sua estética é diferenciada e que tem uma forma de filmar bastante característica, também. Mas o que ninguém sabia, era que Meirelles ainda tinha várias cartas na manga (ou melhor, dentro da cabeça). Ensaio sobre a cegueira, uma co-produção entre Brasil, Canadá e Japão, é a prova disso. No filme, o diretor solidifica o seu, já garantido, lugar entre os diretores brasileiros mais bem sucedidos no exterior.

"Cegueira" é um filme que já começou sua história dividindo opiniões. Após sua estréia de gala, na qual teve a imensa responsabilidade de abrir o Festival de Cannes (um dos mais importantes do mercado cinematográfico), o filme dividiu opiniões. Muitos jornais foram implacáveis chegando a chamar o filme de medíocre, como o argentino La Nación. Entretanto, críticos renomados como Peter Bradshaw, do britânico The Guardian, chegaram a dar ao filme quatro estrelas, classificação para poucos.

O fato é que para mim, Fernando Meirelles mais uma vez se superou. Já havia lido o livro homônimo de José Saramago (em que se baseia o filme), e estava deverás apreensiva com a responsabilidade que o diretor tinha nas mãos. Afinal, o livro de Saramago é um primor da literatura contemporânea, tanto que ganhou um nobel. É um prato cheio para aqueles que se deleitam ao dar asas à imaginação através da leitura. Traduzir esse universo imaginativo para as telas não era tarefa fácil. Principalmente ao optar por ser fiel a narrativa original.

Confesso que fui assistir ao filme meio ressabiada, principalmente depois de visto Cidade de Deus e o Jardineiro Fiel (também adaptações de livros), filmes que pra mim são perfeitos. Mas Meirelles não deixou nada a desejar! Construiu um filme sensorial! Sensorial, inclusive, é a melhor definição para Ensaio Sobre a Cegueira. A montagem do filme é impecável, com cortes rápidos, quase que desconfortáveis. A sensação de perturbação visual é constante, inclusive nas inserções de claridade total que antecedem os momentos de cegueira, tão bem descritas no livro como "um mar de leite". Esse era o meio maior receio: que o filme não me causasse o mesmo impacto e desconforto que o livro me causou. Fui surpreendida, cheguei ao fim da sessão com as pernas bambas.

Meirelles deu ao filme a sensação de caos e de fim dos tempos, onde não existem regras e o que prevalece é a violência e a irracionalidade. Ensaio Sobre a Cegueira traz no elenco Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga (sobrinha de Sonia Braga), Danny Glover e Gael Garcia Bernal, que, diga-se de passagem, conseguiu me despertar repulsa, feito inédito em se tratando da figura.

Apesar das críticas ferrenhas que recebeu, Ensaio Sobre a Cegueira conseguiu arrebatar os cinéfilos de plantão. E, conseguiu ainda, o mais irrefutável dos elogios, o de José Saramago.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Kinoplex Plaza Shopping

Estou na velha correria de sempre, mas fiz questão de vir aqui registrar minha impressão sobre o novo cinema do Shopping Plaza, em Casa Forte.

Ontem fiquei indignada com a recepção que tivemos chegando ao cinema. De cara, esperamos mais de 20 minutos. Tudo bem, pensei! Afinal, hoje é domingo, o cinema ainda é novidade, ainda deve estar em fase de adptação.

Mas quando chegamos no caixa para comprar os ingressos, uma mocinha, muito da descarada (diga-se de passagem), nos perguntou se tínhamos um real. Eu respondi que não. E ela, dando um “muchôcho”, nos disse que não tinha como vender os ingressos porque não tinha troco para tirar dois tickets de vinte, pois estava sem notas de dois.

Ora, a obrigação de ter dinheiro trocado é de quem compra ou de quem vende os bilhetes? E ainda que tivesse acontecido um imprevisto, cabe a ela encontrar uma solução. Ou sugerir algo ao cliente, e não apenas fazer bico e dizer que não pode vender.

Felizmente, antes que eu iniciasse uma discussão desnecessária, minha amiga ofereceu uma nota de dois, para que ela pudesse dar seis reais de troco. Problema solucionado! Mas achei péssimo para a imagem de um local que está começando a funcionar ter um atendimento dessa qualidade. É uma pena.

Tirando esse pequeno incidente, achei as salas super confortáveis. Cadeiras reclináveis com uma boa diferença de altura de uma fila para outra, excelente sistema de som. Gostei bastante da sala, me lembrou o Box Guararapes numa versão mais compacta. O que pra mim é ótimo.

Assisti Ensaio sobre a Cegueira (Fernando Meirelles) na sala 4. Amei o filme. Volto logo mais com um post com as minhas observações.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Em um milésimo de segundo

O que pode acontecer em um milésimo de segundo? Uma fração tão pequena de tempo pode mudar a vida de uma pessoa. Principalmente de um atleta. Um segundo é o tempo exato que pode transformar um ídolo, num fracasso. Um herói, num mito.

O que pode acontecer em um milésimo de segundo? O tempo de uma simples piscada de olhos pode ser o suficiente para fazer vir abaixo anos de treinamentos exaustivos em uma única queda. Pode ser o suficiente para um pedacinho de unha encostar na parede e com isso garantir mais um record mundial.

O que pode acontecer em um milésimo de segundo? No esporte... Tudo! É pelo milésimo de segundo que o velocista corre. É em um milésimo de segundo que se define match point de uma partida, numa cortada tão rápida que faz a bola voar tão rápido que só conseguimos ver no replay. É o tempo suficiente para triscar no sarrafo e ser eliminada da prova. Ou o segundo pode se traduzir em centímetro e ser o suficiente para fazer de mais uma atleta imbatível.

É em um milésimo de segundo que a confiança desaba. Que o pé pisa fora da linha. Que a insegurança atrapalha. É em um milésimo de segundo que a técnica faz a diferença. Que a experiência faz a diferença. Que o peso de uma nação é a diferença.

Olimpíadas de Beijing 2008, ao todo mais de 10 mil atletas de 205 diferentes países fazem com que o mundo acompanhe cada detalhe. Salto a salto. Braçada a braçada. Segundo a segundo. É o espetáculo dos jogos olímpicos que continua fascinando Nações. Uma legião de Diegos, Eduardos, Dayanes, Cielos, Pheps, Isinbayevas, Gibas, Jades e de tantos outros. Atletas que nos arrepiam, arrancam lágrimas e sorrisos. Tudo, em um milésimo de segundo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Diário de Pernambuco de cara nova

Em uma apresentação realizada na ultima terça-feira-feira (12/08), Cristiano Mascaro, responsável pelo novo projeto gráfico do Diário de Pernambuco, teve a oportunidade de apresentar a nova diagramação do jornal aos alunos do 6º período de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco. Na apresentação, Mascaro discutiu quais foram suas principais propostas à direção do Diário e também, como se deu todo o processo de concepção do projeto.
Com um formato mais arrojado e moderno, o novo Diário de Pernambuco tem uma proposta de aproximar cada vez mais o universo impresso do on-line. A palavra de ordem é interação. O jornal passa a estar alinhado com as principais tendências de desing do país e do mundo, através de uma linguagem que possibilita um maior leque de atuação dos repórteres, além de promover uma maior interatividade com o leitor.
A diagramação que antes obedecia uma disposição mais tradicional, dividida em três eixos horizontais. Agora obedece a linguagem do "L" invertido, e se preocupa mais em obedecer a hierarquia da informação. O que dá à página uma maior fluência em seus elementos. Apesar de trazer grandes mudanças em seu projeto gráfico, Mascaro se preocupou em conservar as principais características do jornal. " A proposta é inovar, porém sem perder a identidade visual" explicou.
Ao completar uma semana de circulação, a resposta dos leitores tem sido positiva e os elogios já começaram a chegar na redação. Um presente para Mascaro, que levou cerca de três meses para concluir todo projeto. E também para os leitores que ganharam um jornal ainda mais moderno e dinâmico.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

MPPE vai produzir material em braile para portadores de deficiência visual*

Em mais uma ação na busca pela promoção dos princípios de igualdade e inclusão social, o Ministério Público de Pernambuco acaba de fechar uma parceria com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) para aquisição de uma máquina de impressão em braile, sistema de escrita e leitura tátil para pessoas portadoras de deficiência visual. A entrega oficial da impressora será feita na próxima terça feira (12) no Gabinete da Procuradoria, localizado à Rua do Imperador. Na ocasião, estarão presentes, o procurador geral de Justiça Paulo Varejão, o coordenador do Caop Cidadania, Marco Aurélio Farias, o coordenador de apoio técnico, Leonardo Menezes, Evângela Andrade, relações públicas do MPPE, e, representando a presidência da Chesf, Manoel Aguiar, membro do Comitê de Responsabilidade Social da empresa.

A necessidade de se produzir um material impresso em braile foi constatada no dia-a-dia das atividades desempenhadas pelo Ministério Público. O objetivo é que seja feita uma produção de comunicação toda em braille; cartilhas, folders e peças em geral. Também será possível a impressão de qualquer material para consulta em ações que envolvam deficientes visuais. “Com a possibilidade de impressão em braile o MPPE vai poder fazer cumprir a lei, não só evitando conflitos, mas também promovendo a inclusão e orientando os portadores de deficiência a cerca de seus direitos”, disse Marco Aurélio Farias.

O patrocínio da Chesf foi viabilizado através do projeto do MPPE intitulado Comunicação acessível. “A Chesf encontrou nesta parceria uma oportunidade de contribuir para que os cegos tenham acesso às informações produzidas pelo Ministério Público. Estamos ajudando a garantir o direito constitucional à informação” explicou Manoel Aguiar. Falando ele mesmo como deficiente visual, Aguiar também destacou os benefícios que o material em impresso em braile trará. “Essa é mais uma conquista para os cegos de todo o Estado.”

A impressora será instalada no Coordenadoria Ministerial de Apoio Técnico e será operada por servidores do MPPE que também possuem deficiência visual. O primeiro produto da impressora braile será a cartilha A inclusão sob o olhar da multiplicidade, voltada à divulgação dos direitos das pessoas com deficiência. O exemplar será entregue a Manoel Aguiar. A edição convencional da cartilha sairá até o final do ano.

Participam do projeto o Caop Cidadania, Assessoria de Comunicação, Coordenação Ministerial de Apoio Técnico (CMAT), Coordenação Ministerial de Tecnologia da Informação (CMTI) e Assessoria de Planejamento.
*A matéria foi capa do Diário Oficial de 09 de agosto de 2008