domingo, 8 de março de 2009

Exposições abrem espaço para fotografia*

A Aliança Francesa dá início às comemorações do ano do Brasil na França

Rostos que revelam a identidade de um povo e que traçam uma geografia humana marcada na fisionomia dos fotografados são as principais características da exposição do francês Alain Rivière, que tem início hoje, a partir das 19h, na Aliança Francesa. O trabalho do fotógrafo marca o início das comemorações do ano do Brasil na França. Em sua exposição “ Bloco dos Sonhos” o artista usa a imagem fotográfica, mais especificamente o retrato, como objeto de seu trabalho. São 30 imagens e fotomontagens em branco e preto, que revelam as características mais lúdicas e fantasiosas de um bloco de Carnaval.

Na inauguração da exposição também haverá uma conferência sobre a História do Retrato Fotográfico. Alain Rivière irá discutir sobre temas relacionados a influência, e ao impacto dessa expressão artística na sociedade, e no homem moderno. Além de questões sobre o desenvolvimento das técnicas fotográficas e o legado de grandes fotógrafos. O evento é aberto ao público e tem entrada franca. “Bloco dos Sonhos” fica em exposição durante todo mês de março.

Natureza e Sertanejo
A fotografia também é o destaque na ABA Art Galery, onde os fotógrafos Eder Jules e Eva Caroline expõem seus trabalhos sobre a biodiversidade da fauna e flora pernambucana, e sobre a cultura sertaneja, a partir de amanhã, na unidade dos Aflitos. A exposição fica aberta à visitação até o dia 2 de abril, e depois segue para a unidade de Boa Viagem, onde permanece até o dia 7 de maio. A entrada é gratuita.

Serviço
Aliança Francesa
Rua Amaro Bezerra, 466
Telefone: 3222-0918
ABA Art Galery Aflitos
Av. Rosa e Silva, 1510
Telefone: 3427-8800

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 06/03/2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

“Poiesis” com arte e tecnologia*

Levar a arte adiante, deixá-la caminhar. Essa é a evolução do significado original da palavra “Poiesis” - do grego: fazer - que intitula a exposição que começa hoje e vai até o dia 29 de março, no Museu do Estado. As artistas plásticas Carmen Gebaile, Gersony Silva, Luciana Mendonça, Lucy Salles, Mabsa, Paula Salusse, Sonia Talarico e Thaís Gomes, apesar de serem independentes, apresentam em seus trabalhos vários pontos de intercessão no que diz respeito ao uso da pluralidade da tecnologia em favor da compreensão da arte como forma de expressão. Fotografia, impressões digitais, projeções e plotagens são alguns dos recursos utilizados como forma de aproximar o público do discurso das instalações.

“Essa é a oportunidade das pessoas verem as instalações, conhecerem a forma de garimpo desse material e a trajetória dos artistas”, explicou a coordenadora da exposição, Lucia PY. Com curadoria de Risoleta Córdula, a exposição também vai contar com o apoio de projeções e revistas que servirão de suporte para a compreensão do trabalho e dos “signos” utilizados pelos artistas em suas obras como um todo.

Os visitantes poderão ainda ter a oportunidade de participar de algumas atividades artísticas relacionadas à arte contemporânea e técnicas usadas pelas expositoras. “Cada artista propôs uma atividade diferente aproxime o público do universo dos artistas. No meu caso, iremos trabalhar a repetição, que está presente no meu trabalho, através do desenho e da forma” disse, Gersony Silva. A abertura da exposição acontece hoje a partir das 20h.

Serviço
Museu do Estado de Pernambuco
Exposição “Poiesis” - De 05 a 29 de março
Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 17h / Sábados e domingos 14h às 17h
Rui Barbosa, 960 - Graças
Telefone: 3184-3170


* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 05/03/2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Turismo sem barreiras*

Divulgação

Recife oferece opções para o público LGBT que procura conforto e diversão

AMANDA SENA
Especial para a Folha


O turismo voltado para o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transssexuais) já é uma realidade em vários países. Dentro desse contexto, Recife não deixa nada a desejar se comparada às grandes metrópoles gays, e oferece ao público LGBT opções de pacotes de viagens, hotéis, lazer e entretenimento. O roteiro é extenso, mas o caderno de Turismo selecionou algumas das alternativas mais procuradas pela comunidade gay para esse verão.

Na chegada à cidade, a hospedagem não é um problema. Recentemente, o Recife Convention & Visitors Bureau (Recife CVB), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), lançou a campanha "Friendly LGBT. Pernambuco simpatiza com você", que vai distribuir selos "Gay Friendly" para os hotéis especializados em atender esse segmento do mercado. Os selos, que serão fixados nas recepções dos hotéis, são ilustrados com as cores do arco-íris (símbolo gay internacional) e vão ajudar a indicar o estabelecimento como "amigos da diversidade", hospedando turistas gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. Além disso, será oferecida uma capacitação gratuita aos funcionários que compõem o quadro desses hotéis, com principal objetivo de melhorar a qualidade do atendimento.

Um dos primeiros hotéis a aderir a campanha, o MarOlinda Cult Hotel, localizado no bairro de Boa Viagem, já registra um aumento na demanda de hóspedes. "É importante dizer que esse público já frequentava nosso hotel, mas o título de 'Friendly', deu aos nossos hóspedes uma recepção mais confortável", explicou o proprietário José Otávio Meira Lins. Além de empresário do ramo hoteleiro, ele preside o Recife CBV e a ABIH, e foi um dos idealizadores da campanha. "Nós queríamos institucionalizar o atendimento ao público LGBT, que em Pernambuco sempre foi bem recebido, e agora ganha um reforço a mais", completou.

Além do MarOlinda Cult Hotel, também já receberam o selo "Gay Friendly" o Hotel Jangadeiro e o Tivole, ambos em Boa Viagem, o Blue Tree, em Piedade, e a Pousada Quatro Cantos, em Olinda.

Noites reservadas para a badalação

Divulgação
Se o interesse é agito, opções também não faltam. Há bares e restaurantes para quem gosta das mais dançantes baladas LGBT. Uma das boates mais procuradas pelo público homossexual, a Metrópole oferece aos visitantes uma programação diversificada. Durante todo este mês, por exemplo, além da programação habitual das sextas e sábados com som eletrônico, shows de cantores e strippers, a casa vai organizar uma roda de samba todos domingos do mês, comandada pelo cantor João do Morro. De acordo a proprietária da casa, Maria do Céu, durante os meses de férias a boate registra um aumento de 30% a 40% da demanda em função dos turistas que lotam a cidade. "O verão é o período em que recebemos visitantes de todo País, é muito comum encontrar gente de João Pessoa, Salvador e também das cidades do sul na boate", explicou Maria do Ceú. Apesar da grande procura dos turistas pelas atrações da cidade, a empresária percebe que ainda há muito a melhorar: "Com um pouco mais de apoio institucional o turismo LGBT do Recife pode crescer ainda mais. O potencial é enorme".

E é com foco no turismo que a boate ousou, e resolveu expandir sua participação também na vida diurna dos visitantes. Com a bandeira do arco-íris fincada na areia e vários guarda-sóis da marca "Metrópole", a boate marca presença na praia de Boa Viagem, no "point" LGBT localizado nas imediações do Internacional Palace Hotel.

O polo gay do centro da cidade também merece destaque. Há bares, restaurantes, cinemas e saunas. Entre os mais badalados estão a PitHousen, bar despretensioso na beira da calçada que oferece cerveja gelada. O restaurante e pizzaria Mustang, que é um dos mais antigos da cidade. E não muito distante dali o Cine Boa Vista, que oferece opções específicas para o público gay.

Segundo um dos integrantes do Fórum LGBT do Recife, Rafael Negrão, os comerciantes da cidade estão começando a perceber o público homossexual como um segmento de mercado lucrativo e isso tem aumentado as opções de lazer na cidade. "Recife é uma das capitais do Nordeste mais privilegiadas. Temos muitos bares, boates, saunas, cinemas e uma vida noturna bastante agitada. O turismo LGBT está se fortalecendo e a tendência é que esse mercado aumente ainda mais", disse Negrão.

Serviço
Metrópole
Rua das Ninfas, 125, Boa Vista, Recife
Tel: (81) 3423-0123
Ingressos: Variam de R$10,00 a R$30,00
Para mais informações: http://www.boatemetropole.com.br/

MarOlinda Cult Hotel
Av. Conselheiro Aguiar 755 - Boa Viagem - Recife
Fone: (0xx81)2123.2777
Diárias: Apt SGL R$ 115,00 - Apt DBL R$135,00
e-mail: marolinda@marolinda.com.br

PitHousen
Rua Giriquiti, 139, Boa Vista, Recife
Tel: (81) 8822-6778
Horário de funcionamento: de segunda a domingo, das 18:00 às 02:00

Mustang
Avenida Conde da Boa Vista, 44, Boa Vista, Recife
Tel: (81) 3223-1539
Horário de funcionamento: diariamente das 11h às 23h

Cine Boa Vista
Rua Corredor do Bispo, 131, Boa Vista, Recife
Tel: (81) 3222-9808
Para mais informações: http://www.cineboavista.com/



* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 13/01/2009

domingo, 30 de novembro de 2008

Artesãos transformam escama de peixe em arte*

O material está na moda, e foi parar em adereços de moda e em peças de decoração

Amanda Sena
especial para Folha

A prática de unir um bom negócio a projetos que promovam a inclusão social já é uma realidade em muitas empresas. Se junto a isso, acrescentarmos técnicas de preservação do meio ambiente, tem-se a fórmula para uma empresa de sucesso. E foi reunindo esses elementos que Clarice D’Ávila e Camila Haeckel criaram, há três anos, o ateliê “Mar e Arte”. Além de sócias, as duas são mãe e filha, e, através da idéia do sogro de Camila, que é dono de um frigorífico, elas descobriram no peixe uma excelente matéria-prima. As artistas fazem suas peças usando escamas e couro de peixe reciclado. O material é transformado nas mais diferentes peças, que vão de objetos de decoração, como luminárias, a acessórios super descolados, como bolsas, brincos, colares e sandálias.

No começo do trabalho a dupla usava apenas as escamas do peixe, o material mais barato e resistente permitiu que elas tornassem seus produtos conhecidos e que assim, se firmassem no negócio. A produção foi crescendo e a “Mar e Arte” foi ganhando ares de empresa. Camila e Clarice começaram a trabalhar também com o couro do peixe e diversificaram sua produção. Hoje, elas têm um catálogo com mais de 200 peças e vendem essa produção para várias lojas do Brasil, e também do exterior. “Os Estados Unidos é o nosso maior cliente, mas também exportamos para Inglaterra, França e Alemanha”, disse Camila.

Mais do que um Ateliê de arte, a empresa envolve as mulheres da comunidade de pescadores de Brasília Teimosa, bairro onde fica o Ateliê. “ A idéia é incluir essas mulheres no trabalho fazendo com que elas aprendam as técnicas e possam ganhar com isso. “ explicou Clarice. “Hoje, cerca de 30 mulheres trabalham na cooperativa e o melhor é que elas podem produzir em casa, enquanto cuidam dos filhos”, completou Camila.

Todas as peças elaboradas pela “Mar e arte” atendem às normas de preservação ambiental. O processo de produção reaproveita todas as partes do peixe: “ Usamos a espinha moída misturada com resina para fazer os porta-guardanapos. As escamas são usadas nos objetos de decoração como flores na haste, e o couro normalmente é usado em bolsas, pulseiras e acessórios em geral. Aproveitamos tudo”, brincou Camila.

OLINDA
O material inusitado vem se popularizando entre os artistas que trabalham com couro. O artesão Chico Motta tem um ateliê em Olinda e, recentemente, descobriu que o couro de peixe poderia ser incorporado à sua produção. Com experiência na modelagem de cintos feitos com couro de boi, Chico Motta já começou a fazer misturas que têm chamado a atenção de turistas e também de grandes lojas do ramo da moda.

Serviços:
Mar e Arte - Rua Delfim (antiga rua A), 292, Brasília Teimosa

Telefone - 3327-6097/9126-1808 / site: www.marearte.com.br

Ateliê Chico Mota - Rua do amparo, 171, Olinda
Telefone - 9682-5509


* A matéria foi capa do caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 30/11/2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Presente/The Gift (Louise Hogarth, EUA, 2003)



O documentário da norte-americana, Louise Hogarth, chegou aos cinemas exatamente um ano depois da diretora ter lançado a pergunta Alguém Ainda Morre de Aids? em seu curta-metragem de mesmo nome. Mais uma vez, Louise se aventura escrevendo, produzindo e dirigindo o filme, e justiça seja feita, ela cumpre muito bem todos os papéis.

O Presente é um documentário perturbador até mesmo para quem está diretamente envolvido com o universo homossexual. O filme investiga de perto a decisão polêmica tomadas pelos protagonistas de contrair, voluntariamente, o vírus HIV. Um deles conta a história sem arrependimentos, já o outro não tem tanta certeza das escolhas. São nas “convention parties” que os portadores do vírus, conhecidos como “the gift givers”, se reúnem para curtir festa restritas, regadas à drogas, bebidas e muito sexo sem camisinha.

Os “bug chasers” (outra forma de tratamento dos soropositivos) vivem a partir de uma lógica invertida, na qual pretendem transformar a exceção em regra. Dessa maneira eles intencionam poupar a si e ao restante da comunidade do medo da contaminação. O diferente é não ser um soro-positivo. Uma realidade sombria e impactante.

O formato da narrativa adotado por Louise Hogarth aborda também outra perspectiva do problema: a falsa idéia de uma vida normal e saudável dos HIVs positivos, vendida pelos laboratórios que fabricam o coquetel de medicamentos. Idéias essas, distorcidas e equivocadas que acabam fazendo com que muitos jovens tomem decisões precipitadas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Harvie Krumpt (Adam Elliot, Austrália, 2003)


Não é por menos que o filme do diretor australiano, Adam Elliot, faturou o Oscar de melhor curta-metragem de animação em 2003. Harvie Krumpt, além de ser meticulosamente bem executado, é um filme tocante. A narrativa que conta a trajetória de vida de seu personagem principal é cercada de episódios um tanto quanto, pouco usuais. E acima de tudo, sua história é cercada por fatos. Fatos comuns a vida de todos nós, mas que por algum motivo são omitidos. Na maioria das vezes, por que preferimos ignorá-los! Fatos como a beleza da nudez, a impetuosidade das crianças com o que é diferente, ou mesmo a imprevisibilidade da morte. Adam Elliot explora em seu filme as idiossincrasias dos seres humanos.


Animação feita em “Stop Motion” (técnica que usa imagens paradas filmadas em sequência), Harvie Krumpet chama atenção também pelos detalhes: que vão desde rachaduras nas paredes aos efeitos de luz, e expressão dos personagens. Elliot também utiliza muitos efeitos de “fade in” e “fade out” para pontuar as passagens de tempo da história, dando ao público uma sensação de transição dos momentos de vida do personagem.


A narração feita pelo ator, Geoffrey Rush, também merece destaque. É ela que dá o tom e a intensidade do filme, sem que para isso tenha que brigar com a imagem. Um exemplo disso, é o momento em que Harvie decide se tornar nudista: Tanto a narração de Rush, quanto a trilha sonora ganham um ritmo ofegante. Dando a dimensão e o impacto que as mudanças tinham trazido à vida de Harvie.


Adam Elliot e Harvie Krumpet chegam, em alguns momentos, a terem semelhanças físicas. Entretanto, seria precipitado dizer que o diretor reproduziu momentos de sua infância tímida em Melbourne. O fato, é que o simpático bonequinho tem fácil identificação com as lembranças de qualquer pessoa. Ainda que ele viva em um mundo a parte. A história, que muitas vezes nos arremete às fábulas infantis, é repleta de pequenas “morais”. Porém, o humor irônico de Elliot dá ao filme um certo caráter subversivo.Além de dialogar com um estilo tragicômico. Harvie Krumpet é um excelente exercício de questionamento de valores e visões de mundo, no qual somos conduzidos através do olhar de um personagem que nunca desiste de sua vida e busca sempre uma explicação para as coisas.

Assista o filme:

Parte 1:
http://www.youtube.com/watch?v=CSJVl24LRtk

Parte 2:
http://www.youtube.com/watch?v=Fxv1w2CDKQU&feature=related

parte 3:
http://www.youtube.com/watch?v=VdLyYvytutA&feature=related



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ausência Justificada

Melhor do que discursar sobre os motivos que me deixaram sem atualizar o blog por mais de um mês, é mostrar um desses motivos.

Segue a baixo a crítica do curta alemão, Motodrom. Texto que me levou ao grupo de jovens críticos que farão a cobertura do Janela Internacional de Cinema do Recife – Festival que acontece de 13 à 20 de novembro na Fundação Joaquim Nabuco – Em breve trago mais informações .


Motodrom


A primeira sensação que temos ao assistir Motodrom é de que estamos dentro do globo da morte com as motos passando sobre nossas cabeças. Com planos pouco usuais e quase hipnóticos, o curta do diretor alemão, Jörg Wagner é um filme sensorial que transporta o espectador para a realidade de motoqueiros circenses que ganham a vida desafiando a morte. É justamente esse caráter documental que faz de Motodrom um filme tão peculiar, já que o formato de curta-metragem é pouco utilizado por documentaristas. Além disso, Jörg Wagner optou por fazer um filme mudo, pontuado apenas pelo ronco dos motores das motos em atividade. Um risco para esse tipo de narrativa, mas que ao mesmo tempo dá ao filme uma linguagem universal.

O tratamento de som, bem como das imagens em PB bastante granuladas, são uma atração à parte. Bem como a participação do público que em meio ao entra e sai frenético das apresentações, assiste atento às manobras de cima do Motodrom, e dão ao filme a conotação do real. Jörg Wagner consegue passar através de sua montagem o tom energético e pulsante que dimensiona a vida desses artistas. Não por acaso, o filme recebeu uma menção honrosa no Festival de Sundance, em 2007.