sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Freddy Krueger é pesadelo no universo da dança

É muito comum encontram espetáculos com nomes inusitados, mas talvez a montagem intitulada “Não Me Fales de Freddy Krueger” seja, por hora, uma das mais curiosas. O solo de dança contemporânea, que tomou como base para o processo criativo os sonhos da bailarina Andrea Anhaia, faz única apresentação hoje, às 19h, no teatro de Santa Isabel, dentro da programação do 16° Janeiro de Grandes Espetáculos.

Em cena, Anhaia apresenta uma viagem coreográfica entre a força pungente do sonhar e o acordar. O nome pouco comum para um espetáculo de dança foi sugestão do diretor, Asier Zabaleta, que trabalhou no processo de montagem junto com a bailarina. “Ele sugeriu esse nome porque achou interessante o fato de uma mulher adulta ter vários medos, inclusive esse, que é uma bobagem tão grande”, disse Anhaia referindo-se ao clássico personagem de “A Hora do Pesadelo” - referência do gênero de terror na década de 1980. “Também existe uma relação dos sonhos, e pesadelos, com a minha vida. Eu realmente tive todos os sonhos que estão no espetáculo”, completa.

A montagem costura momentos de dança, de texto, e de projeções que ao mesmo tempo em que se justificam, também se completam. Andrea Anhaia é pernambucana, radicada em Minas Gerais, e bailarina do Movasse - Coletivo de Criação. Os ingressos custam R$10 (preço promocional para todos).

Shakespeare

Também hoje, às 20h30, no teatro Barreto Júnior, a Companhia do Ator Nú faz única apresentação com o espetáculo “Encruzilhada Hamlet”. Na montagem, o jovem príncipe Hamlet, e seu coveiro, removem a cova onde foram enterrados há cinco séculos e ressurgem para um duelo de classes, de opostos e de sonhos. No elenco, Edjalma Freitas e Henrique Ponzi dão vida aos personagens dessa interessante montagem, levemente inspirada da obra Shakespeare. Os ingressos custam R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada). Veja a programação completa do 16° Janeiro de Grandes Espetáculo na Folha Digital.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 19/01/2010

Uma Nova Jerusalém cada vez mais Projac

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é mega. E não é só uma questão de espaço físico. Surpreendendo e reinventando-se, o espetáculo chega a sua 43ª edição - a temporada deste ano começa em 26 de março e vai até o dia 3 de abril - com novidades. Entre as principais, falando cenograficamente, o Templo ganha piras que vão ordenar a passagem durante toda cena, além de queimadores de incenso que perfumarão o local com objetivo de reforçar ainda mais o clima de religiosidade. Mudanças também no cenário da Via Sacra, que mudará de local, deixando a visibilidade do público mais ampla e também facilitando o deslocamento entre os palcos.

Mas a festa que já toma conta da cidade cenográfica, localizada em Fazenda Nova, no Agreste pernambucano, não é resultado apenas da expectativa em assistir à montagem, conhecida como a maior da terra, que narra a história de Jesus Cristo. Os atores há muito tempo deixaram de apenas participar do espetáculo para ser o próprio. Principalmente os globais. Tanto que desde domingo, quando Eriberto Leão, escalado para viver o papel principal, e Suzana Vieira, que será Maria, chegaram ao lugar para gravar os primeiros VTs promocionais, o clima mudou. Ficou mais agitado. Uma prévia dos gritos e flashes já costumeiros das fãs enlouquecidas em ver mais um Cristo em trajes mínimos.

Eriberto Leão viverá Jesus pela segunda vez em sua carreira. O ator interpretou o personagem em 2005. “Se tivesse agenda compatível, e eles me quisessem, sempre participaria do espetáculo. Mais vezes do que o Pimentel”, brincou o ator, referindo-se a José Pimentel - primeiro protagonista do espetáculo - no início da coletiva da imprensa realizada na tarde de ontem, na cidade-teatro.

De volta ao papel do filho de Deus, Eriberto fez questão de ressaltar que vive um Cristo “Guevariano”, destacando que um verdadeiro revolucionário é aquele movido por amor. “Foi assim com o Cristo”, disse. O ator retorna ao papel, coincidentemente, depois de ter vivido na TV o personagem Zeca - filho do Diabo - na novela “Paraíso”, da Rede Globo. Para ele, a sucessão de acontecimentos tem relação. “Quando o Zeca reverenciava Nossa Senhora, ele reverenciava a mãe terra. Essa mãe é Maria. Muitas pessoas lêem a Bíblia, mas não têm a compreensão de respeito à terra e à vida. Aqui sinto que posso falar sobre isso. Essa é a mensagem a ser passada”, frisou Eriberto.

Depois de ter recebido vários convites para viver Maria Madalena, mas nunca ter conseguido conciliar a temporada do espetáculo com suas gravações em novelas, Suzana Vieira finalmente vem à Nova Jerusalém com um personagem ainda maior, o da mãe de Jesus. “Essa experiência é algo muito diferente para mim como atriz. Estou muito feliz por terem lembrado de mim”, brincou a atriz, lembrando que sua mãe tinha muita vontade de assistir ao espetáculo, mas faleceu antes de conseguir realizar o sonho.

Completando o elenco principal, a atriz Dig Dutra (a Maria Abadia do Zorra Total) viverá Maria Madalena e Mauro Mendonça interpretará o rei Herodes. Em cena, junto com eles um elenco total de 60 atores e mais 500 figurantes, ajudam a compor a atmosfera fascinante que envolve a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

“ O Grande Inquisidor” para um grande janeiro

Leitura dramática dá início à programação do Festival que vai até o dia 31

Era para ser apenas uma forma de movimentar a pauta teatral da Cidade em um mês “morto” para as artes cênicas.Mas o projeto que surgiu de maneira tímida e discreta, acabou tornando-se um dos principais festivais de teatro do Recife, e fazendo com que o mês de janeiro passasse a ser o mês de maior relevância entre os profissionais envolvidos com o setor. Chegando a sua 16ªedição, o Janeiro de Grandes Espetáculo atingiu a sua maturidade, e pode-se dizer que agora começa a se aventurar em novos voos. A exemplo do espetáculo escolhido para a abertura do evento, que acontece hoje (6), às 20h, no teatro de Santa Isabel.

Fugindo das escolhas mais óbvias, a leitura dramática “ O Grande Inquisidor” terá a responsabilidade, e a honra, de dar início a programação do Festival. O texto retirado da obra “Os Irmãos Karamazov”, de Fédor Dostoievski, relata a volta de Jesus Cristo à Sevilha do século XVI. Em sua chegada, Jesus é aclamado por uma multidão em delírio e, neste exato momento, o Inquisidor, que por ali passava, fica ressentido e manda prendê-lo. À noite, vai visitá-lo em sua cela e o repreende por sua volta, já que esta perturbou profundamente a Igreja.

O texto foi escolhido depois de uma visita do produtor, Paulo de Castro, ao “Porto Alegre em Cena” de 2007, no qual a montagem foi apresentada. “Deixei o teatro com a certeza de que queria montar o texto, já tinha até em mente os nomes que queria comigo” disse o produtor referindo-se a José Mário Austregésilo, que assina a direção, e Germano Haiut, como intérprete. A escolha dos nomes também foi bastante ousada, uma vez que tanto Austragésilo quanto Haiut já estavam afastados da cena teatral há algum tempo.

“Como todos os anos o Janeiro tem uma programação de espetáculos que atendem todos os gostos. Fazemos questão de contemplar todos os gêneros. Desde o drama, passando pela comédia, infantis, dança e até mesmo convidados com textos de outros países”, destacou Paulo de Castro. Que ainda completou. “ O diferencial é que esse ano fizemos questão de dar ênfase ao texto e à interpretação do ator, que são a verdadeira essência do teatro. Por isso, resgatamos as leituras dramáticas. Há muito não se via o gênero em grandes Festivais”.

Está será a estreia de “O Grande Inquisidor” nos palcos recifenses. Fato que motivou ainda mais a escolha. “Sempre tentamos dar preferência as produções locais na abertura do Festival. Além disso, o texto de Dostoievski também é pouco visto nos palcos. Queremos fazer um resgate do gênero”, afirmou. Para cumprir tal façanha, a programação contempla ainda a leitura dramática de três clássicos da tragédia grega: “Antígona”, “Prometeu Acorrentado” e “As Troianas”.

Homenagem

Nesta edição, o Janeiro de Grandes Espetáculos presta homenagem aos 160 anos do Teatro de Santa Isabel e ao teatrólogo Joacir Castro, que, no início da década de 1960, foi um dos fundadores do Teatro de Cultura Popular (TCP), uma das ações do Movimento de Cultura Popular (MCP), extinto pelo Golpe Militar, e integrou o elenco do Teatro Popular do Nordeste (TPN), participando de peças memoráveis como “O Inspetor”, “O Cabo Fanfarrão” (ambas em 1966), “O Santo Inquérito” e “Antígona” (as duas últimas em 1967).

Curiosidades Paulo de Castro

A primeira edição do Festival foi montada com R$500 e ninguém da equipe recebeu cachê para participar

Janeiro foi escolhido porque era mês de férias e não havia programação teatral na cidade

Desde o início o festival foi pensado para ser um evento dirigido à própria classe teatral

Tanto os espetáculos da programação, quanto os membros do júri, são escolhidos por atores, diretores e produtores de teatro da cena local.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 06/01/2010

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Muito movimento, mas nem tanto conteúdo

Nas cênicas, 2009 foi marcado pelas comédias “stand ups”, pela forte expressão circense, boas surpresas na produção local e festivais marcantes

Se pararmos para fazer um balanço sobre como foi o ano de 2009 para os palcos recifenses, veremos que este foi um ano bastante movimentado. As pautas dos teatros estavam fechadas desde o início do ano, e pode-se dizer que um público ainda tímido, mas fiel, deu conta do recado e prestigiou o que foi apresentado. Este foi o ano de bons Festivais - a exemplo do Janeiro, Mostra Antunes Filho, Festival de Circo, Festival de Dança, Palco Giratório, entre outros - de algumas boas novidades, e de muitas, muitas visitas de globais. Algumas satisfatórias, outras nem tanto. Além de, é claro, ter sido o ano do “Stand Up Comedy”. Recife, e o resto do País, viram o gênero se proliferar e fomos soterrados com uma infinidade de apresentações que parecem fazer sempre as mesmas piadas.

Ainda no comecinho do ano, completando a idade de uma doce debutante, o Janeiro de Grande Espetáculos mostrou que passa longe da ingenuidade de uma menina de 15 anos. Na sua 15ª edição, a mostra competitiva corou “Ato”, da companhia Magiluth como o melhor espetáculo e presenteou o público com montagens convidadas de peso, a exemplo da tocante “Alguns Leões Falam”, da Cia. Clara, de Minas Gerais. O alto nível da curadoria - que pecou apenas em deixar a abertura a cargo da mediana “Cantigas do Sol” - comprovou a inquietude por trás da Apacepe em realizar um festival democrático e pertinente.

Em março, o público recifense foi presenteado com um evento que celebrava o aniversário de um dos principais nomes do teatro nacional. A mostra teatral “O Universo Antunes Filho”, marcou os 80 anos de dramaturgo, seus 60 anos de carreira, e os 25 anos de criação do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), trazendo para Cidade clássicos da carreira do diretor, como “Foi Carmen”, “ A Falecida - Vapt Vupt” , e “Prêt-à-porter”.

No mesmo mês, três espetáculos pernambucanos representaram o Estado no Festival de Curitiba, um dos principais festivais de teatro do País. “Fio invisível da minha cabeça”, da Companhia do Ator Nú; “... No Humor Como na Guerra”, da trupe Galpão das Artes; e “Uma viagem através das estrelas” do grupo Ciência Cênica.

Abril marcou o início da corrida pelos ingressos com preços estratosféricos do Cirque Du Soleil, que se apresentaria na Cidade, pela primeira vez, em julho com o espetáculo “Quidam”. Na mesma época, fomos docemente surpreendidos pela montagem Brechtiniana de “A Alma Boa de Setsuan”, com a atriz Denise Fraga.

Muitos espetáculos aportaram por aqui no mês de maio. O período atípico teve direito a decepção dos fãs do balé clássico, com a ausência em cima da hora da bailarina Ana Botafogo na apresentação do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A inovação da dança contemporânea com “Geraldas e Avencas”. E as excelentes montagens trazidas pelo Festival Sesc Palco Giratório que em sua terceira edição, se firmou como um dos principais Festivais de Artes Cênicas do circuito pernambucano.

Entre os globais que passaram pelos palcos da Cidade, Wagner Moura dividiu opiniões com seu “Hamlet” meio higth tech, meio esquizofrênico. Bruno Gagliasso e Thiago Martins lotaram o teatro de menininhas histéricas, mas apresentaram uma encenação colegial. E Reynaldo Gianecchini, ao lado de Alessandra Maestrini, conseguiram divertir o público com um “Doce Deleite” não tão magistral quanto a primeira versão (com Marília Pêra e Marco Nanini), mas ainda assim satisfatório.

No quesito comédia, assistimos a tudo que há de disponível no mercado. Dos “Stand Up Comedys” de quase todos os integrantes do CQC, até os esquetes, popularizados pelo Youtube, dos Melhores do Mundo e da Terça Insana.

Entre os fatos marcantes da cena local, vimos o debut na direção teatral do cineasta Léo Falcão, que nos brindou com a bela montagem do espetáculo “Carícias”. Assistimos também ao terceiro espetáculo montado pela Cia. do Ator Nu, “Encruzilhada Hamlet”, um primor de cenografia e trilha sonora. O teatro de Santa Isabel - um dos principais equipamentos da cidade - passou a ser dirigido pela produtora cultural Simone Figueiredo, e voltou a receber a visitação do público. De triste, perdemos um dos nossos maiores ícones da dança popular, o mestre do frevo, Nascimento do Passo.
Fechando o ano, o Festival Recife do Teatro Nacional comprovou a velha máxima de que menos é mais. O festival veio com um orçamento bem contido, prezando enxugar ao máximo tudo que podia. Ainda assim, a prefeitura conseguiu realizar um evento rico: a curadoria de Kil Abreu foi certeira esse ano, trouxe experiências ímpares de teatro contemporâneo, a exemplo de “In On It” e “Rainha[(s)] - Duas Atrizes em Busca de um Coração”. A abertura experimental com teatro de rua, levando o Grupo Galpão à Praça do Arsenal da Marinha. O único pecado foi por conta da própria cena teatral do Recife, que fez feio não comparecendo às oficinas disponíveis, mesmo tendo preenchido todas as vagas.
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 28/12/2009

Arte de experimentar

Peças criadas com cano de PVC ganham status no exterior

Quando começou a atuar no mercado de luminárias, o artista plástico Isnaldo Reis não tinha muita certeza de que sua experimentação seria bem sucedida. O arquiteto vivia uma fase criativa que o distanciava cada vez mais do “tradicional” de sua profissão. Isnaldo pensou em um produto artístico que usasse como base uma matéria-prima inusitada (há dez anos, bem inusitada): canos de PVC.
Durante alguns meses, quando começou a trabalhar na criação de suas primeiras peças, ele lançou mão de várias técnicas até chegar a um denominador comum em sua arte. “Tentei derreter os canos com ferro de soldar, usar brocas, serras. Era tudo na base do erro e da tentativa. Levei um tempo até conseguir entender a resistência do material e a intensidade correta a ser aplicada”, explica o artista.

O tempo passou e o trabalho evolui. As luminárias criadas por Reis ganharam o mundo e tornaram-se “produto tipo exportação”. “Exportamos para os Estados Unidos, França, Alemanha e Portugal regularmente. Além de clientes de outros países que levam peças avulsas. Por ano, em média, exportamos cerca de 500 peças aos todo”, diz.

O trabalho do artista também amadureceu ao longo desses dez anos. A riqueza de detalhes e o acabamento estético que tornou o desing das luminárias de Isnaldo conhecidas em todo mundo continuam presentes em seu trabalho. Entretanto, é possível perceber que as peças estão cada vez mais elaboradas, com entalhes maiores, tubos sobrepostos, pinturas monocromáticas. “Eu preciso estar sempre criando novidades, coisas diferentes. Um artista que expõe com frequência em feiras especializadas precisa ter essa consciência”, destaca o artista plástico, que a cada seis meses costuma expor suas peças na “Gift Fair” uma das maiores feiras especializadas em artesanato do País, que acontece em São Paulo.

Além das já populares luminárias, o arquiteto começa a expandir o seu nicho de atuação fazendo o reaproveitamento das sobras de material que utiliza em suas esculturas. As placas e os canos podem ganhar as aplicações mais diferenciadas, passando desde esculturas de parede, excelentes para decoração de ambientes externos, até mesmo pequenos acessórios como porta-guardanapos, bandejas, porta-copos, bijuterias, entre outros.

Serviço
Isnaldo Reis Designer
Rua Faustino Porto, n° 537 - Boa Viagem
Contato: 3302-3108 / 99740986
www.isnaldoreis.arq.br
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 08/12/2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Antúlio Madureira grava DVD ao vivo no teatro Guararapes

As filmagens começaram desde o dia 2, com cenas externas

Em uma semana musicalmente privilegiada para o público pernambucano, depois de assistir Elza Soares, Arnaldo Antunes, Antônio Carlos Nóbrega, entre outros nomes, no show que marcou as comemorações do Dia Nacional dos Direitos Humanos, e antes de acompanhar a gravação do próximo DVD da Nação Zumbi (amanhã no Marco Zero), outra gravação inédita também vai chamar atenção dos amantes da música de qualidade. Trata-se da gravação do 1° DVD (Teatro Instrumental) da carreira do multi-instrumentista, Antúlio Madureira, que acontece hoje (8), às 21h, no teatro Guararapes. Com única apresentação aberta ao público.

As filmagens do trabalho, na verdade começaram desde o último dia 02 de dezembro com a gravação das cenas externas, nas quais o personagem do Velho Maribau, um mendigo tocador, inspirado no bumba meu boi, vivido pelo próprio Antúlio começa sua andança em busca do sonho de tocar para um plateia. A apresentação de hoje registra justamente o momento em que o artista encontra o palco." Depois da apresentação o maestro da Orquestra o convida para ser um de seus solistas. Este é o momento máximo do sonho", conta Antúlio, que assina a direção artística e o roteiro do DVD.

O projeto é um desejo antigo do artista que se tornou conhecido, principalmente, pela criação de instrumentos musicais inusitados, feitos em sua maioria, com materiais como latas, garrafas e afins. " Realizar esse projeto é um sonho antigo, mas nunca conseguia captar recursos suficientes para executar as gravações. Agora, com a ajuda dos amigos e de muitos parceiros, finalmente consigo realizar esse desejo".

Com produção, cenário e iluminação extremamente bem cuidados, e acompanhados de perto pelo próprio Antúlio, o espetáculo reúne música e teatro em uma apresentação que explora todas as vertentes criativas do artista. " É um espetáculo completo e colorido. Com teatro música, bonecos, instrumentos e humor. É um espetáculo onde as pessoas poderão ver a música", destaca Antúlio.

Serviço

"Teatro Instrumental"
Gravação aberta do DVD de Antúlio Madureira"
Teatro Guararapes - Centro de Convenções
Hoje (8), às 21h
Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada)

Informações: (81) 3088-3367


* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 08/12/2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O camaleônico, agora mais contido

“Um anjo elegante do inferno”. Os versos da canção de Zeca Baleiro seriam os melhores para definir o Ney Matogrosso, do novo cd “Beijo Bandido”.Quem esteve no teatro Guararapes, na última sexta-feira, teve a chance de entender porque Ney é um artista como poucos. Camaleônico, no melhor sentido da palavra. Depois da explosão de cores e performances da turnê “Inclassificáveis”, Ney agora surge no palco mais contido, porém não menos grandioso. Com um show minimalista, Ney atinge o equilíbrio perfeito entre a sutileza de sua voz, e a acidez de sua interpretação.

De paletó bem cortado, forrado em cetim vermelho, salto e cara limpa, Ney dá início a sua apresentação cantando “Tango pra Tereza”. A música que foi um dos sucessos do começo de sua carreira, era um prelúdio do setlist que estava por vir. Boleros, Valsas e Tangos nunca pareceram tão atuais. Os clássicos “Da Cor do Pecado” e “Fascinação” vieram na seqüência, antecedendo o “boa noite”, discreto, que Ney deu a platéia. Em contrapartida, o cumprimento foi acompanhado de gritos histéricos de “gostoso” e “Eu te Amo Ney” que ecoaram no teatro.

E os elogios parecem acarinhar a alma de Ney. Entre uma música e outra, as caras e bocas (sua marca registrada) ainda estavam lá, para quem pudesse duvidar que realmente o assistia. O clima também era bem propício para o charme de Ney. No palco intimista, apenas com a presença da exime banda de cordas formada pelos músicos Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (violoncelo e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão) e um telão que fazia projeções diversas - inclusive do próprio Ney dançando como acontece na música “De Cigarro em Cigarro”, um dos melhores momentos do show – é o talento vocal de Ney que deve ser reverenciado.

Outro momento apoteótico do show aconteceu em “Bicho de Sete Cabeças”. A combinação voz e bandolim fez o público vibrar, transformando o momento em um dos mais poéticos da apresentação. Não desmerecendo, claro, a interpretação magistral de “Não Faça Assim” e “Segredo”. Finalizando um show repleto de nuances e silhuetas encantadoras, Ney voltou ao palco para um bis ainda mais dramático com “Incinero” e “Mulher Sem Razão”, numa apresentação que apesar de curta, durou o bastante para torna-se inesquecível.