quarta-feira, 27 de maio de 2009

Frustração não tirou o brilho do espetáculo

Foto:Igo Bione
Ana Botafogo não se apresentou em Floresta Amazônica

Um pequeno desentendimento - causado por um erro de impressão nos ingressos (duas pessoas tinham ingressos para as mesmas cadeiras) - acontecia na parte central do teatro Guararapes, quando pelo sistema de som, a plateia recebeu o aviso de que a bailarina, Ana Botafogo, seria substituída por Márcia Jaqueline ontem à noite, na estreia do espetáculo “Floresta Amazônica”, no Recife. A notícia foi recebida com uma vaia pelo público que compareceu ao teatro, em sua maioria, na expectativa de ver em cena um dos maiores ícones do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ana Botafogo já estava no Recife, e mesmo com uma pequena contusão no tornozelo se apresentaria sem problemas. Entretanto, a bailarina apresentou um quadro de febre na noite da segunda-feira e a equipe preferiu mantê-la em repouso. “Decidimos que era melhor que Ana voltasse ao Rio para descansar. Para casos como esse, sempre estamos preparados para substituir os bailarinos”, disse o diretor do corpo de baile do Municipal, Hélio Bejani.

Todos os contratempos, porém, não comprometeram o brilho do espetáculo. O cenário majestoso envolvia a plateia num misto de luzes e sons da floresta. Homenageando os 50 anos da morte do compositor Heitor Villa-Lobos, o Ballet impressiona pelo vigor técnico dos bailarinos e pelo trabalho primoroso de figurino e cenografia.

“Floresta Amazônica” impressionou também os quase 800 alunos da rede Estadual de ensino que assistiram à apresentação a convite da organização do evento. A partir de uma ação da Secretária de Educação do Rio de Janeiro. “Sempre tive vontade de assistir a um balé. Quando surgiu essa oportunidade não quis perder”, disse Ana Priscila Ribeiro, aluna da escola Argentina Castelo Branco.

* A matéria foi chamada de Capa e publicada no caderno "Geral" da Folha de Pernambuco de 27/05/2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

“Floresta Amazônica” faz homenagem a Heitor Villa-Lobos

Um dos mais tradicionais grupos de balé clássico do país chega ao Recife para duas apresentações de sua turnê nacional em homenagem aos 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos. O Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta o espetáculo “Floresta Amazônica”, hoje (26) e amanhã (27), no teatro Guararapes. Na primeira noite de apresentações “A Deusa da Floresta”, protagonista da montagem, será vivida pela bailarina Ana Botafogo.

Um dos maiores clássicos interpretados pelo corpo de baile do Municipal, “Floresta Amazônica” – de Dalal Achcar – fez sua estreia em 1975. Hoje, 34 anos depois, a história de amor entre o homem branco e a deusa indígena, que tem como pano de fundo um dos maiores tesouros naturais do país, continua emocionando plateias por onde passa. Por esse motivo, o espetáculo foi escolhido pelo grupo para homenagear um dos maiores nomes da música erudita no Brasil, o compositor Heitor Villa-Lobos. A trilha sonora de “Floresta Amazônica” é toda montada a partir de suas composições. Além disso, a turnê também marca as comemorações do centenário do Theatro Municipal.

A montagem conta com 60 bailarinos em cena, e um megacenário que reproduz o ambiente da floresta. A iluminação e as projeções de imagens também proporcionam ao público a experiência de entrar em um universo bastante particular.

Para conhecer um pouco mais desse universo, a Folha de Pernambuco conversou com a bailarina Ana Botafogo, que falou um pouco sobre o espetáculo. Além da experiência de uma vida inteira dedicada ao balé clássico, e os rumos de sua carreira.

Como é trabalhar uma temática “homem branco e índio” através da dança?

A montagem é muito bonita, muito lírica, faz parte do repertório dos clássicos. É uma produção essencialmente nacional, que continua atual porque fala do nosso tesouro que é Amazônia. Esse é um balé que gosto muito de dançar porque tem uma beleza e uma delicadeza que são bastante raras.

Um espetáculo para celebrar duas datas especiais como os 100 anos do Theatro Municipal e 50 anos de Villa-Lobos é uma responsabilidade muito grande. Como você se sente com isso?

Nossa maneira de homenageá-lo foi montando esse espetáculo. Por isso escolhemos essa data redonda, que é sempre mais marcante. Foi uma consciência que o Theatro também estivesse comemorando o centenário. Então encontramos uma maneira de fazer como que o balé pudesse estar sempre viajando e levando o nome do Theatro, já que nesse momento ele está fechado para reforma.
Essa é apenas uma das comemorações. Dia 14 de julho faremos um grande espetáculo em homenagem ao centenário, no Rio de Janeiro, com palco ao ar livre. O Coro e a Orquestra do Theatro também participarão.

Você e o Theatro Municipal são coisas indissociáveis, como se sente com isso?

Fico muito orgulhosa em saber disso. Eu dediquei toda minha vida a minha carreira e ao Theatro. Sou bailarina do Municipal há 28 anos. Me sinto totalmente integrada a essa história, porque a vivi intensamente. Fico muito feliz com essa associação.

Em 2002, você recebeu o prêmio da Ordem de Mérito Cultural, como ativista da dança. Ajudar a divulgar o balé clássico é uma de suas prioridades?

Eu ainda continuo muito envolvida com minha atividade de bailarina. Me apresento sempre com vários espetáculos. Na realidade, não tenho esse foco no dia- a-dia. Mas eu sempre incentivo o balé, e tento levar a imprensa para dar visibilidade a projetos que entendem que é possível se transformar através da dança.

Tento trabalhar dentro das minhas possibilidades. A rotina de treinamentos é bastante puxada. Ensaiamos diariamente das 10h às 16h, além disso também precisamos fazer um treinamento físico como pilates, e outras atividades. É uma vida muito difícil que requer muita dedicação.

Em 2006, você se aventurou na televisão, com um personagem na novela “Páginas da Vida”, de Manoel Carlos. Você tem pretensões como atriz?

A novela foi uma experiência maravilhosa, mas tive que tirar uma licença do Ballet porque as gravações me consumiam muito tempo. No momento eu tenho uma agenda de espetáculos muito grande e minha prioridade é ser bailarina.

Mas já estou envolvida em um projeto com Marília Pêra para abril de 2010. Vou participar da peça “O vórtice”, de Noel Coward. E também vou fazer uma participação especial como uma bailarina na próxima novela de Manoel Carlos, “Viver a Vida”.

O que é preciso ter para ser uma boa bailarina, talento sobrevive sem técnica?

Talento sem técnica e determinação, não conseguem vencer em nada na vida. O jovem pode ter talento, mas tem que ter disciplina e disposição para tentar superar suas dificuldades e conseguir torna-se profissional respeitável. É preciso saber abdicar de muitas coisas prol do treinamento.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Realizações de consumo

Vale tudo para deixar a casa do jeitinho que você sempre sonhou

Uma adega na sala. Um quarto com motivos temáticos. Uma banheira. Sonhos ou delírios de consumo? Pois é, em termos de decoração da casa, cada pessoa costuma ter um desejo diferente que pretende um dia poder realizar. Muitas vezes, por falta de tempo, espaço, e principalmente dinheiro, a almejada reforma acaba ficando em segundo plano. Entretanto, arquitetos, decoradores e designers de interiores têm a solução ideal para diferentes casos e diferentes bolsos.

Há mais de 20 anos trabalhando com reformas de interiores, o arquiteto Romero Duarte, já se deparou com muitas situações que precisaram de um pouquinho mais de criatividade para serem resolvidas. Em um projeto recente, o cliente pediu que ele colocasse banheiras em dois banheiros distintos. A falta de espaço acabou dificultando a execução do projeto, mas não impossibilitou que Duarte realizasse o desejo de seu cliente. “A solução que encontramos foi fazer dois banheiros com pia, bacia e balcão independentes e colocar uma única banheira que servisse aos dois banheiros. Acabou que ficou um espaço maior e bem legal. Banheiro é luxo, e é sempre bom quando a gente consegue resolver”, disse o arquiteto.

Capacidade para transformar o que já existia é uma característica importante para esses profissionais. A designer de interiores Ana Rosa Albuquerque sabe bem disso. Tanto que conseguiu a “façanha” de transformar a antiga garagem de sua cliente, que servia como depósito, em um espaço agradável com piscina, jardim e churrasqueira. Ótimo para a família se divertir na companhia dos amigos. “Sempre tive vontade de ter uma piscina. Quando compramos a casa meu marido disse que iríamos construir, 20 anos se passaram e a garagem virou um depósito de móveis velhos. As ideias de Ana foram fundamentais para começarmos a reforma”, disse Bernadete Sales, proprietária do imóvel. Vários motivos foram responsáveis pela demora na concretização do desejo de Bernadete - a formatura dos filhos, e outras prioridades financeiras , acabaram jogando a reforma pra escanteio. Mas em casos como este, nem sempre é preciso fazer tudo de uma só vez. “Conversamos para ir fazendo essas mudanças aos poucos. Primeiro foi a piscina e a churrasqueira. Ainda temos coisas inacabadas, como a sauna e os banheiros externos. O importante é realizar o sonho dos clientes”, diz Ana Rosa.

Entretanto, é sempre bom considerar que em se tratando de “sonhos”, certas economias são dispensáveis. “É muito importante procurar um profissional da área, que seja qualificado, e de confiança”, destaca Ana. Outro aspecto que deve ser considerado na hora de fazer uma mudança na casa são as características dos ambientes e da construção já existentes. Para que não haja choque de conceitos e de tendências.

Além disso, certas medidas podem ser tomadas para evitar desperdícios e não fazer o projeto estourar o orçamento. “A utilização dos materiais de maneira correta e pesquisa de mercado - sempre garimpando boas promoções - podem garantir uma economia considerável. E em último caso, sempre existe a opção de lojas que facilitam a compra, e financiam o material em até 12 vezes, com preços quase como à vista”, disse a designer. Com tantas dicas é só se planejar e mãos à obra.

Serviço
Escritório de Arquitetura Romero Duarte
Tel: 3222-0971 / 3241-6159
Ana Rosa Albuquerque - Desing de Interiores
Tel: 3466-2163 / 9426-5081


* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 24/05/2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A beleza e a magia dos musicais infantis

A montagem do clássico “A Bela e a Fera” chega ao Recife

Abram alas para bules, xícaras, candelabros e relógios cantores. Estreia hoje, no teatro Guararapes, a montagem nacional de um dos maiores clássicos da literatura infantil, “A Bela e a Fera”. O espetáculo fica em cartaz em curta temporada de seis apresentações, hoje, amanhã e sábado. O musical é uma verdadeira superprodução que n
ão deixa nada a desejar em relação às grandes montagens teatrais internacionais. Entre alguns dos recursos cênicos utilizados para envolver a criançada (e também muitos marmanjos) no universo do faz de conta, três telões farão projeções em 3D. Tecnologia, aliás, é uma marca na montagem que conta ainda com movimentos de cenários controlados por computador e números de ilusionismo.

Sob a direção do italiano, Billy Bond, considerado, hoje, “o mestre” dos musicais infantis, “A Bela e a Fera” conta com um elenco de 22 atores em cena, que interpretam cerca de 40 personagens. Os atores Ivan Parente e Andressa Andreatto dão vida ao casal de protagonistas.

Billy Bond, que já vive há mais de 30 anos no Brasil, se envolve diretamente em cada detalhe da montagem. A experiência do diretor como produtor musical - durante as décadas de 70 e 80, quando foi um dos nomes responsáveis pelo primeiro Rock In Rio, e também trouxe ao País nomes de peso como Queen, Alanis Morissette, Red Hot Chili Peppers, entre outros - deu a Bond um olhar diferenciado no quesito superproduções.
Desde que passou a produzir musicais (sua primeira montagem foi o clássico da Broadway “Os miseráveis”) o diretor já emplacou sucessos de bilheteria como “O Rei Leão”, “Pinóquio” e “O Mágico de Oz”. A Folha de Pernambuco conversou com Billy Bond para saber como foi esse processo de transição de segmentos.

Entrevista: Billy Bond "Diretor"


Como foi mudar o foco da produção de bandas para musicais infantis. Por que essa escolha ?
É muito simples. Eu sou do ramo de música, sou produtor de música. Trabalhei no Rock in Rio, e trouxe vários shows internacionais para o Brasil. O teatro de musicais me chamou a atenção porque envolve uma mídia muito interessante, que reúne várias coisas numa só. Comecei trazendo os grandes musicais da Broadway, como “Os Miseráveis”. Foi quando percebi que o mercado se abriu para esse tipo de produção. Depois disso, eu continuei nessa trilha, porque realmente acredito que teatro musical é a melhor das mídias, envolve atuação, luz, palco, cenografia. A cada apresentação é uma nova emoção. A adrenalina sobe.

Qual a principal diferença (cuidado) de tratamento com esse tipo de público?
Normalmente no teatro brasileiro as crianças são deixadas um pouco de lado. Não em relação a roteiros. Mas as produções normalmente são de pequeno porte, porque costumam achar que a criança se entretém com pouco. Nós não. Achamos que a criança merece o mesmo respeito e seriedade de espetáculos de grande porte. Todo cuidado técnico é feito como se fosse espetáculo para o adulto. E realmente é porque as produções são divertidas tanto para as crianças, quanto para os pais. É um espetáculo para a família inteira.

É um público muito exigente?
Costumo dizer que o público infantil é o público mais exigente. É o mais difícil de todos, porque é sempre uma batalha atingi-los. Encontrar o tom certo para conseguir envolvê-los. E temos conseguido isso. Fizemos a marca de 1,2 milhões de espectadores com “O Mágico de OZ” ( que além do Brasil, também foi ao Chile e Argentina). E 900 mil pessoas assistiram “Pinóquio”. Esse é o terceiro espetáculo que apresentamos aqui no Recife.

Montar textos clássicos é uma estratégia para garantia de sucesso?
Basicamente é uma tática de garantia de retorno financeiro real. A escolha dos grandes clássicos da literatura mundial é um caminho. Mas já estamos trabalhando com outras possibilidades. Queremos fazer algumas montagens com autores brasileiros. Já escolhemos alguns títulos, mas por enquanto ainda não posso falar.



Serviço
Musical “A Bela e a Fera”
Teatro Guararapes - Centro de Convenções de Pernambuco

Quinta-feira (21), às 15h; Sexta-feira (22), às 9h e 15h; E sábado (23), às 10h, 16h e 19h
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Mais informações: (81) 3182-8020

terça-feira, 19 de maio de 2009

A ditadura da beleza em xeque

Em uma semana o recifense conheceu dois universos distintos tratando de neuroses semelhantes mas antagônicas. Na terça-feira (12), o espetáculo Hysteria, do Grupo XIX de Teatro, emocionou ao mostrar mulheres que se tornaram histéricas, por sentirem em demasia. No final de semana, “Geraldas e Avencas”, do Grupo de Dança 1° Ato, apresentou mulheres (e homens) que chegaram à histeria por serem superficiais.

Até onde a busca pela perfeição plástica nos leva? A questão surge já na primeira cena, quando Marcela Rosa repete o seu perturbado e mecânico: “Boa noite. Sejam bem vindos.É um prazer tê-los aqui”, numa analogia a necessidade das pessoas em agradar para serem aceitas. Cada número apresentado consegue envolver a platéia, num misto de identificação e rejeição, com a ditadura da beleza. Da mulher que quer ser o pôster da revista ao solo da bailarina sem rosto.

Além de instigar no público uma reflexão acerca dessa padronização, “Geraldas...” também tem momentos plasticamente belos: como o dueto da cena de amor e a ciranda final. A luz do espetáculo também é parte atuante na narrativa. Bem como a vídeo-arte, assinada por Tatu Guerra e Chico de Paula, que, entre outras projeções, expuseram a beleza de rugas e cicatrizes marcadas na pele. O espetáculo é coroado com a trilha sonora brilhante de Zeca Baleiro, que em meio a pérolas como “Turbinada”, também criou faixas instrumentais em ritmos diversos.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 18/05/2009

Que yoga você pratica?

A técnica indiana não segue apenas os ensinamentos tradicionais

A princípio, um iniciante mais desavisado pode confundir-se com a quantidade de nomes e de desdobramentos de linhas existentes dentro do Yoga. A chegada da prática indiana milenar, ao ocidente, com o passar do tempo, deu espaço para muitas “adaptações” que nem sempre levam em consideração os reais princípios do Yoga tradicional. E dentro das ramificações da técnica tradicional, é possível encontrar uma série de variações (Asthanga moderno, Iyengar, Sivananda Yoga, Purna Yoga, entre outros), que são diferentes não apenas em relação ao ritmo, mas as permanências e respiração trabalhadas nas paradas (posições, chamadas ásanas). É importante dizer que não existe uma linha melhor ou pior, nem uma é necessariamente a substituta de outra. O que deve ser levado em consideração é a intenção e a disposição de cada pessoa para trabalhar a cada dia.

De acordo com a instrutora Regina Perrusi, classicamente os tipos foram descritos nas escrituras antigas do Yoga como sendo Bhakti (o da devoção), Jnana (o do conhecimento), Karma (o da ação) e Hatha (das polaridades, do corpo, da força). As novas roupagens serviram para ajudar os adeptos da pratica aqui no ocidente. “Muitos modismos de professores chamam a técnica de outra nomenclatura e até com seus próprios nomes (um tipo de batismo pessoal), mas na verdade, tudo vem da mesma fonte. Yoga não tem dono, mas Yoga é Yoga”, disse Perrusi.

Mesmo assim, a orientação de um profissional, em relação ao método que cada pessoa deve escolher, é fundamental. “O instrutor deve conhecer um pouco do praticante e conduzir a prática para a sua condição física, mental e vital no momento, de modo a gerar benefício. Se há limitações no corpo, devem ser respeitadas e administradas de acordo com métodos e níveis”, explicou Perrusi. A prática de Asthanga, por exemplo, favorece o físico. Já no Raja Yoga a prioridade é a saúde da mente, portanto a exigência de concentração é maior.

Outro método bastante popularizado é o Sivananda que segue os princípios do Yoga durante as 24h do dia. A professora Isabel Sehbe destaca que existem mais de 80 cetros de Sivananda no mundo. A prática do método consiste no ensino dos ásana, dos pranayamas (exercícios adequados de respiração), savasanas (relaxamento adequado), adoção de nutrição adequada (vegetariana), e quinto ponto básico: pensamento positivo e meditação.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 17/05/2009

“Geraldas e Avencas” em seu culto a diferença

Espetáculo que tem trilha de Zeca Baleiro faz uma crítica à ditadura da beleza

Quantas vezes já nos pregamos querendo comprar um determinado produto para ficar com a pele igual à daquela modelo, ou pensamos em fazer uma plástica para ter uma barriga “sarada”? Nenhum tema nos soa mais atual do que a discussão em torno da ditadura estética. É justamente essa, a reflexão proposta pelo novo espetáculo do renomado Grupo de Dança Primeiro Ato (MG), “Geraldas e Avencas”, que tem coreografia e direção de Suely Machado.

Depois de um hiato de quatro anos longe dos palcos recifenses, o grupo sobe novamente no palco do teatro Santa Isabel ( a última vez foi em 2005 com “Mundo Perfumado”) para uma curtíssima temporada de apenas três apresentações, que acontecem hoje e amanhã, às 20h, e domingo às 20h.

Idealizadora do espetáculo, Suely Machado sempre sentiu-se incomodada com essa ditadura da beleza que leva mulheres dos 17 aos 70 anos a buscarem uma aparência única. Padrão. “Queremos estimular a reflexão sobre os paradoxos do nosso tempo. De uma vida em que buscamos uma perfeição que leva à deformação humana”, disse Sueli. “ É estranho que as pessoas busquem ficar igual para serem aceitas, quando vivemos um momento em que o que vale é diversidade”, completou.

Em sua pesquisa, que durou cerca de um ano, Suely procurou ao máximo entender o porquê dessa expectativa pelo perfeito, e ressaltar através da dança a beleza do não óbvio, da diferença. “Não estou fazendo um culto ao descuido humano mas quero poder não me descaracterizar”, disse a coreógrafa. Para isso, o elenco de oito bailarinos - Alex Dias, Ana Virgínia Guimarães, Danny Maia, Júnio Nery, Luciana Lanza, Marcela Rosa e Thiago Oliveira - participou ativamente do processo de criação, transformando em movimento experiências de vida que deixaram um traço, uma marca, uma cicatriz. É importante ressaltar a crítica reflexiva proposta em “Geraldas...” é feita de forma delicada e bem humorada.

Outro destaque também é a trilha sonora original, composta especialmente por Zeca Baleiro, a convite da diretora. “Achava que a ironia e a irreverência dele tinha tudo a ver com o que estávamos fazendo. E em certa ocasião, nos conhecemos e fiz o convite. A identificação foi total”, disse Suely. O Espetáculo conta ainda com o suporte de uma vídeo-arte assinada por Tatu Guerra e Chico de Paula.

Serviço
“Geraldas e Avencas”, do Grupo 1° Ato de Dança
Teatro Santa Isabel - Praça da República, Santo Antônio
Dias: sexta (15) e sábado (16), às 20h; domingo (17), às 19h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Informações: (81) 3232 2939 | 3232 2940

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 15/05/2009