terça-feira, 30 de junho de 2009

Montagem da Arena de “Quidam” segue a todo vapor

Foto: Widio Jofre
A dez dias estreia do espetáculo “Quidam” no Recife/Olinda (9 de julho) os preparativos no Parque Memorial Arcoverde, espaço que vai receber a arena do Cirque du Soleil, não param, e tudo está dentro do cronograma. A primeira etapa do projeto, que incluía as obras de drenagem, assentamento e terraplenagem do local, já foram concluídas.

A segunda etapa do processo, que é de marcação do solo, também já está sendo finalizada e a previsão é que a armação das tendas comece ainda esta semana. Além disso, a área no entorno do local também foi toda recuperada e está sendo feita uma pintura no viaduto que passa sobre o parque.

Durante o período de preparação do espaço, uma polêmica em relação a algumas árvores que seriam derrubadas para abrir espaço para a montagem da arena tomou conta da cidade. Entretanto, a administração do Cirque cumpriu todas as determinações impostas pelo Estado, e as onze árvores e três coqueiros só foram retirados do local após a assinatura de um acordo entre o Governo do Estado (via Empetur), Iphan, Prefeitura de Olinda e Ministério Público de Pernambuco. Com o acordo, a administração do Cirque se comprometeu a plantar o triplo dessa quantidade, em espécie e local a ser definido pela prefeitura de Olinda.

Ao todo, 53 containers, vindos de várias cidades do mundo, foram necessários para trazer ao País todo o material de construção da arena. Somente a lona utilizada na montagem das tendas pesa a modesta marca de 5 toneladas. O peso total do palco é equivalente a impressionante marca de 21 toneladas. Na turnê nacional de “Quidam” os equipamentos viajam em caminhões que fazem o deslocamento entre as nove cidades em que o Cirque vai se apresentar.
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 30/06/2009

Brasileiros do Cirque du Soleil na turnê do Recife

Fazer parte de uma das maiores companhias de circo do mundo não é privilégio de muitos. Se juntarmos a esse fato, a chance de poder se apresentar com um espetáculo em seu país de origem. Temos um acontecimento poucas vezes visto, e uma experiência vivida por pouquíssimas pessoas. Mais especificamente, três pessoas. Essa é a experiência que Jailton Carneiro, Graceline Oliveira de Moura e Denise Wal estão tendo a oportunidade de desfrutar como membros do elenco da turnê nacional do espetáculo “Quidam”, do Cirque du Soleil.

Único homem dos três, o baiano natural de Salvador (Graceline é goiana, e Denise curitibana), Jailton Carneiro, conversou com a Folha de Pernambuco e revelou um pouco de sua trajetória até entrar no Cirque, além de histórias sobre sua rotina de treinamento e a emoção de se apresentar no Brasil.
Como começou sua paixão pelo circo?

Tudo começou em 1989, na escola de circo Picolino, em Salvador. Entrei para o projeto Recreio que ensinava técnicas circenses a crianças da comunidade. No final do curso os alunos que mais se destacavam ganhavam bolsas de estudo para permanecer na escola. No terceiro ano me tornei instrutor, e logo depois virei professor da escola. Lá conheci o diretor da escola Picadeiro, que me levou para São Paulo.

Foi em São Paulo que você fez a audição para o elenco do Cirque?
Logo quando cheguei em SP houve uma audição para o Cirque, em 1997, e eu perdi. Somente em 2001 houve outra, que eu fiz e passei. Mas demorou sete meses para que eu fosse chamado, porque depois que você é aprovado, passa a fazer parte do casting deles, mas não tem prazo para ser chamado.

Como é a carga de treinamento para atingir o nível de perfeição técnica que vocês têm?
O treinamento é bastante intenso. Durante a preparação em Montreal temos o treinamento artístico e físico, uma média de 5h a 6h diárias de treino. Quando estamos em turnê, como fazemos muitas apresentações o treino é de 1h diária. Além disso, dois fisioterapeutas e um massagista viajam sempre conosco. E a cada seis meses passamos por uma avaliação física.

Como é a sensação de estar se apresentando em casa?
Essa é a primeira vez que venho com uma turnê para o Brasil e te juro que é bem diferente. Poder se apresentar para um público com sua família e seus amigos todos lá é muito bom. Principalmente porque essa é a primeira vez que a turnê vai passar pelo Nordeste. Estou muito ansioso. Esta é a chance que temos de mostrar a potência do artista brasileiro.
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 30/06/2009


Wagner e seu “repaginado” Hamlet

Contemporaneidade é a palavra chave para definir o espetáculo

No último sábado, com o teatro da Universidade Federal de Pernambuco lotado (e com ingressos esgotados para o segundo dia de apresentação antes mesmo da estreia), Wagner Moura, ao lado de um elenco de mais nove atores, apresentou ao público recifense um Hamlet diferente... Poético, porém sem precisar ser coloquial demais. E moderno, de moletom e dono de um vinil dos Beatles.

Mas calma, não vá achar que a montagem de um dos maiores clássicos do dramaturgo inglês Willian Shakespeare é um ultraje à obra original. Muito pelo contrário, o espetáculo, que conta com direção Aderbal Freire-Filho, tem um frescor que consegue aproximar o público de um texto que foi escrito no final do século XVI. A história do príncipe dinamarquês que para vingar a morte do pai vive na fronteira entre a sanidade e a loucura está presente, assim como toda a essência do texto.

No palco, além da atuação irretocável de Moura, um elenco respeitável embasa toda trama. A atriz Georgiana Góes dá vida à delicada e sensível Ofélia, grande paixão de Hamlet - a cena de sua morte é um dos momentos mais poéticos e belos do espetáculo.

As imagens projetadas em um telão, e feitas pelos atores do próprio elenco, ajudam na composição visual e a dar a devida dramaticidade ao momento. O suporte do telão, inclusive, é usado com bastante maestria e, em nenhum momento, briga com a interpretação dos atores. O recurso é utilizado como forma de valorizar a teatralidade de cenas pontuais, numa espécie de realce do trabalho do ator, tão questionado e enfatizado pelo próprio Hamlet.

O toque cômico do espetáculo (que é uma tragédia) fica por conta da excelente interpretação de Gillray Coutinho. Além dele, Fábio Lago, Tonico Pereira, Carla Ribas, Cândido Damm, Felipe Koury, Marcelo Flores e Caio Junqueira estão presentes.

Nesse novo Hamlet, de Freire-Filho e Wagner Moura, contemporaneidade é palavra chave. A montagem reafirma a máxima de que os clássicos nunca morrem, porém nada impede que eles sejam reinterpretados, adaptados a novos questionamentos.

Naquele sábado, o público presente viu um Hamlet diferente, que ouvia Beatles e era bem debochado. E, depois de ovacionar o elenco e cantar parabéns para o protagonista (foi o aniversário de Wagner), não por acaso, deixou o teatro ao som de “Thriller”, de Michael Jackson. Surpresinha da produção?

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 29/06/2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dançar está na moda! É só aprender

“São dois pra lá, dois pra cá”. Os versos imortalizados pela poderosa voz da cantora, Elis Regina, nunca foram tão praticados nas academias de dança do Recife. Em tempos em que a dança de salão virou a vedete de programas de auditório, reality shows e novelas, os aspirantes a Ginger Rogers e Fred Astaire lotam as academias de dança na esperança de aprender bem mais do que o trivial dois pra lá, dois pra cá.

Salsa, Samba de Gafieira, Tango, Forró, e até mesmo o mais recente zouk (ritmo africano, parecido com a lambada, que se tornou bastante popular nas academias), deixaram de ser um desafio distante e passaram a ser parte do cotidiano de gente comum, que nunca tinha se imaginado dançando como profissional.

Como a maioria dos homens, o estudante de Direito, de 24 anos, Philipe Aguiar, sempre achou que perdia a oportunidade de conhecer mulheres interessantes porque não sabia dançar. Mas mesmo assim ainda mantinha um certo preconceito em relação à dança. Há pouco mais de dois meses, Philipe resolveu se livrar das limitações e aprender a dançar. “Acabei mudando a minha visão da dança. Agora, toda vez que saio é somente pra dançar. Tenho o prazer da dança, nem paquero com ninguém”, disse Philipe sorrindo. A paixão se estendeu aos amigos, e ele logo conseguiu angariar parceiras. A colega de faculdade, Lis Brito foi uma delas. Há apenas um mês e meio nas aulas a estudante encontrou uma folga, mesmo com o dia corrido, para aprender ritmos diferentes. “Hoje, não vivo mais sem a dança. As aulas mudaram minha postura, e até mesmo minha atitude. Agora sou menos caseira, a turma da dança virou companhia nas saídas”, explicou Lis.

A mudança não é percebida apenas entre os mais jovens. Ângela Miranda é engenheira florestal, e aos 54 anos descobriu o prazer de dançar. “Costumo dizer que a dança de salão é três em um. Não pago analista, não pago academia e ainda aprendo a dançar”, brincou a engenheira.

Para Wilson Almeida, proprietário de uma escola de dança na torre, os programas de televisão ajudaram a dar mais visibilidade à dança de salão, mas além disso, as pessoas também têm sentido mais necessidade de saber dançar. “As pessoas estão usando a dança como uma forma de aliviar o estresse do dia-a-dia”, disse Wilson. Portanto, trate de arrumar um bom par e sair rodopiando por aí.

Serviço
Escola de Dança Hipérion
Tel: 3088-5660

domingo, 14 de junho de 2009

Antiquários: As dores e delícias de lugares cheios de charme

Vide regra, antiquários costumam ser lugares que guardam muitas histórias e relíquias. Espalhados por vários bairros da cidade, esses espaços vão muito além da definição de meros “estabelecimento comerciais”. Cada móvel, peça, ou obra de arte encontrada em um antiquário não é um objeto qualquer, na maioria das vezes, esses objetos são dotados de um valor histórico-cultural que independe das cifras que determinam seu preço. E é esse valor “artístico” de cada peça, que funciona como válvula propulsora do trabalho dos antiquários (agora, os profissionais), que, à frente de seus negócios garimpam nos quatro cantos do país - e muitas vezes fora dele - relíquias que farão sucesso com seus clientes.

É o caso de Manuca Ribeiro, antiquário há 22 anos, seis deles à frente do Antiquário “Retrô e Arte”, que não mede esforços em suas empreitadas na busca por peças que tenham um diferencial. Apaixonado pelo estilo “retrô”, Manuca sempre dá preferência a objetos entre as décadas de 40 e 70. “O meu gosto pessoal influencia bastante nas minhas compras, 90% das peças que tenho no meu antiquário, ou já estiveram, ou poderiam perfeitamente estar na minha casa”, disse Manuca. Para adquirir as peças para sua loja, ele mantém um grupo de amigos que costuma visitar as casas em que os proprietários querem se desfazer de alguns (ou todos) os objetos. Tudo acontece de forma bastante democrática e as preferências costumam ser bastante distintas. “Todos no grupo já sabem o que tem a ver com o gosto de cada um. Tenho muitos amigos que costumam fazer compras no Rio e em São Paulo e enviam para mim. Assim como também compro coisas aqui que tenho certeza que eles vão gostar”, explica. “Mesas de canto e luminárias são o meu maior foco” completa Manuca, que usa seu faro quase que como um colecionador.

Por empenhar tanto afinco em suas buscas, o apego às peças que conquista é inevitável, mas Manuca afirma que não tem problemas em passar adiante a prova de suas vitórias contanto que perceba o interesse real de seus compradores. “Tenho prazer em repassar uma peça que procurei muito para alguém que valorize a arte e saiba reconhecer o valor e a história por trás do objeto”. A paixão pelo antigo é tão grande, que o trabalho acabou despertando o talento para outra atividade. Hoje, além de antiquário Manuca também é design de acessórios e tudo que produz é diretamente influenciado pelo visual das peças de seu estabelecimento.

Entretanto, nem só do prazer de fazer descobertas vivem os antiquários. Recentemente, uma determinação do Ministério Público Federal (MPF) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) passou a obrigar os proprietários de antiquários a fazer um cadastro de suas peças. Tal determinação gerou uma certa preocupação entre os comerciantes que trabalham, em sua grande maioria com peças em consignação. Uma reclamação recorrente, é que o cadastro serviria como fonte de checagem para as declarações de impostos desses estabelecimentos. O que dificultaria o trabalho desses profissionais, uma vez que a circulação das peças é muito grande.

O Iphan, por sua vez, afirma que o cadastro não tem nenhum tipo de relação com o valor material das obras, e é apenas um artifício de controle das peças em circulação no mercado. “Nosso interesse é em relação ao valor cultural dessas obras, principalmente para impedir que eventualmente os próprios antiquaristas comercializem objetos que foram roubados a muito tempo e foram recolocados no mercado. Muitas vezes o negociante é enganado sobre a procedência das peças”, explicou a técnica do Iphan, Manuela Sousa Ribeiro. Para não correr o risco de adquirir uma mercadoria roubada, o órgão recomenda que todas as pessoas que tenham interesse na compra de antiquidades, façam a verificação no Cadastro Nacional de Bens Procurados que o Iphan mantém online no site da instituição (www.iphan.gov.br).


* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 14/06/2009

Turnê Repertório do Teat(r)o Oficina vem ao Recifee

Grupo só virá à Capital Pernambucana no segundo semestre deste ano

Uma das mais importantes, subversivas e controversas companhias de teatro do País, a Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, de São Paulo, completou 50 anos de atividades em 2008. Como parte da programação de comemorações, o grupo lançou, no começo de 2009, um box com sete DVDs contendo quatro das mais importantes peças encenadas ao longo da história da companhia. Além disso, o grupo também já confirmou uma turnê com seis espetáculos, que vão rodar quatro cidades do Nordeste, para o segundo semestre. Recife, Paulo Afonso, Canudos e Quixeramobim vão receber a montagem de seis textos inéditos por aqui. Na capital pernambucana o grupo deve se apresentar com a turnê Repertório entre os meses de outubro e novembro.

Sob a tutela de Zé Celso Martinez Corrêa - um dos fundadores da cia e nome de maior expressão - o grupo construiu ao longo dessa trajetória o status de principal companhia de teatro experimental no cenário das artes cênicas nacionais. Inovador desde os primeiros trabalhos, suas montagens sempre ultrapassam os limites estéticos e instigam o pensamento reflexivo do espectador. Longe dos palcos recifenses desde 2007, quando trouxeram à cidade um de seus projetos mais ousados, a adaptação de “Os Sertões” de Euclides da Cunha, a expectativa para uma nova temporada de apresentações no Nordeste é grande. “Viajar é uma coisa maravilhosa para todos nós. É sempre muito bom para companhia. Os melhores espetáculos na turnê de “Os Sertões” foram os que fizemos durante a viagem. São públicos totalmente diferentes, cada dia fazemos um espetáculo totalmente novo”, disse Camila Mota, atriz, e uma das diretoras da companhia.

Para o público, a expectativa é ainda maior, uma vez que esta será a oportunidade de assistir algumas das peças mais comentadas da companhia, como: “Vento forte para um papagaio subir”; “Cypriano & Chan-ta-lan”; “Taniko, O Rito do mar”; “Bandidos”; “Bacantes”; “Cacilda”. Sendo os dois últimos, junto com Boca de Ouro e Ham-let, os espetáculos que foram foco do DVD, que teve a direção de Tadeu Jungle e Elaine César. Durante todo processo de captação de imagens, os diretores tiveram o cuidado de dispor as câmeras em meio a plateia, criando um jeito inovador de filmar teatro, na tentativa de ser o mais fiel possível a emoção de estar no meio a arena do teatro oficina. Tarefa árdua! Uma vez que e experiência de acompanhar uma das montagens do Teatro Oficina é, no mínimo, uma oportunidade de rever os conceitos sobre estética e artes cênicas.

A expectativa aumenta ainda mais com a possibilidade da vinda da mais recente montagem do grupo. “Banquete de Platão” já está sendo trabalhada pelo grupo, e segundo Camila, todos estão muito empolgados com a peça. “Vamos incluir a peça no repertório. O Zé (Celso) está super inspirado e estamos tendo a oportunidade de resgatar um trabalho de atores que há muito não tínhamos tempo pra fazer. Banquete é uma peça renovadora”.

Preocupação em conseguir fazer

A turnê vai ser a primeira da companhia com a nova série de montagens, antes do Nordeste o grupo faz uma temporada de apresentações em setembro no Rio de Janeiro, de onde deve vir direto para o Recife. “Estou há 12 anos na companhia e está será primeira vez que viajo com tantos espetáculos diferentes. Será um desafio muito bom, tenho uma ligação muito forte com Recife. Acho o público pernambucano um dos melhores do país”, disse a atriz. Outra preocupação também é conseguir fazer, durante a turnê, espetáculos a preços populares para abrir a experiência a públicos de todas as classes. Enquanto isso, por aqui, o público espera na torcida!

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 13/06/2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

RecorDança resgata a história da dança local

Projeto montou um acervo histórico-cultural sobre a dança em Pernambuco

Já se passaram quase seis anos, desde que os pesquisadores Roberta Ramos, Valéria Vicente, Liana Gesteira, Marcelo Sena, Ailce Moreira e Duda Freyre resolveram começar a montar um acervo histórico-cultural sobre a dança em Pernambuco. Agora, o projeto avança nas pesquisas e estende o foco de seu trabalho para as produções artísticas de dança que realizaram montagens entre os anos 2000 e 2008, com o objetivo de atualizar os dados dos artistas e grupos mapeados na primeira fase dos trabalhos.

Os interessados em contribuir poderão doar fotos, vídeos, programas, cartazes, e materiais referentes à produção desse período até o dia 18 de junho na sala 03 da Fundação Joaquim Nabuco (Derby), das 9h às 13h. A iniciativa é a segunda etapa de um projeto, bem sucedido, que tem ajudado a resgatar a memória desse segmento artístico que, há muito tempo, vinha sendo posto em um espaço secundário no Estado.

Bailarina de longas datas, foi Valéria quem começou a sentir falta de compreender melhor esse universo e se deparou com uma escassez absoluta de material de pesquisa. Todo material encontrado foi um livro de Goretti Rocha, sobre o Balé Popular do Recife. Todo o resto, era de difícil acesso, ou fazia parte de acervos pessoais. Foi a partir dessa necessidade que o grupo se juntou para tornar possível a construção de um acervo que pudesse ser instrumento de pesquisa para todas as pessoas interessadas no assunto. Surgiu o RecorDança.

Com o projeto aprovado pelo Funcultura, o grupo começou o trabalho inicial de identificação de nomes de grupos, bailarinos e coreógrafos. O marco inicial escolhido para pesquisa foi a profissionalização da dança, em 1976, com a montagem do balé armorial. Na época, sob a tutela do então Secretário de Cultura Ariano Suassuna, o grupo tornou-se a primeira companhia de dança a receber um salário diário para trabalhar em um espetáculo. “Foi a partir daí que delimitamos nossa pesquisa entre as décadas de 70 até 2000, com o foco claro para a dança cênica. Só então começamos a realizar as entrevistas e recolher o material do acervo pessoal das fontes que identificamos” explicou Roberta Ramos, coordenadora da pesquisa.

Como resultado do garimpo de informações realizado pelos pesquisadores foram mapeados 13 grupos (e companhias) de dança. Sendo produzidas 25 biografias, além de 34 CDs de vídeo com registros de espetáculos, que foram disponibilizados para o acesso gratuito em um banco de dados on-line, no site do RecorDança (www.recordanca.com.br). “Nós temos a intuito de ampliar ainda mais esse acervo, a princípio esse novo material que estamos fazendo a coleta não entre de imediato no site, mas esse já é o primeiro passo para dar continuidade à pesquisa”, disse Roberta Ramos.

Além de proporcionar o registro histórico de uma produção que estava em vias do esquecimento, o RecorDança também tem como proposta incentivar a reflexão crítica acerca do universo da dança. “Em paralelo a pesquisa percebemos que essa catalogação era apenas uma parte do trabalho, também queremos colocar em prática o aprofundamento do pensamento em relação a dança”, afirmou Liana Gesteira.

* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 10/06/2009