
Kataklò é uma palavra de origem grega. Ela define o espírito do trabalho. O nome não poderia ser melhor para uma companhia de dança, que transformou ex-atletas em bailarinos, fazendo uso do vigor físico e de suas possibilidades corporais. Na sexta-feira, no Teatro da UFPE, o público que acompanhou “Play”, destes artistas italianos, não teve dúvidas de que a técnica deles tinha de ser exaustiva, para alcançar a precisão dos movimentos.
Entretanto, para um espetáculo que vislumbra reunir esportes, dança e teatro em uma única apresentação, músculos e acrobacias perfeitas não são suficiente. Em cerca de 17 pequenas coreografias, em dois atos, a companhia tenta aproximar o público de diversas modalidades olímpicas oferecendo outras perspectivas.
Mas na maioria das composições falta maturidade coreográfica, o que torna o espetáculo até previsível. Poucos momentos são surpreendentes, como o do ringue de boxe, no qual os bailarinos camuflados fazem dançar, na verdade, as cordas do ringue, e não os boxeadores. Ou mesmo no movimento em que os bailarinos parecem se transformar em deuses do Olimpo.
“Play” é bonito de ser visto. Humorado, brinca ironicamente com esportes, como no futebol, e outros bem distantes, como o trenó olímpico. Mas ainda assim, fica a sensação de que nenhuma história foi contada, ou sentida. Sob músculos e acrobacias, sente-se falta de profundidade e sensibilidade.
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 19/04/2010
* A matéria foi publicada no caderno "Programa" da Folha de Pernambuco de 19/04/2010

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